sexta-feira, 4 de março de 2011

Para redimir homem é preciso conhecer a Verdade, Cristo

"A não-redenção do mundo" consiste "em não reconhecer a verdade" que "é reconhecível quando Deus se torna reconhecível", e isso acontece "em Jesus Cristo".

Isso é o que afirma o Papa Bento XVI no segundo volume de seu livro "Jesus de Nazaré", que será apresentado em 10 de março e aborda a vida de Cristo a partir da entrada em Jerusalém, até a ressurreição. L'Osservatore Romano adiantou alguns fragmentos do texto.

No capítulo intitulado "O julgamento de Jesus", o Papa se pergunta quem foram os seus acusadores.

Para João, o único que relata a conversa entre Jesus e Pilatos, são simplesmente "os judeus".

Esta expressão, ressalta o Pontífice, "não indica, de fato, o povo de Israel como tal, tampouco tem um caráter ‘racista', também porque o próprio João era um judeu, assim como toda a comunidade primitiva".

Segundo o evangelista, esta expressão indica a aristocracia do templo, embora haja exceções, como se sugere referindo-se a Nicodemos. Em Marcos, os acusadores também são adeptos de Barrabás, pedindo a sua libertação em vez da de Jesus; Mateus fala de "todo o povo", mas "certamente não expressa um fato histórico".

Quanto ao juiz, o governador romano Pôncio Pilatos, "ele sabia que Jesus não vinha de um movimento revolucionário". Jesus "deve ter parecido um exaltado religioso, que talvez violasse preceitos judaicos de direito e de fé, mas isso não lhe interessava", porque sobre isso os judeus é que teriam de julgar.

"Sob o aspecto das leis romanas relativas à jurisdição e ao poder, que correspondiam a ele, não havia nada sério contra Jesus", mas, no interrogatório, sua resposta à pergunta "Então tu és rei?" - "Tu o dizes: eu sou rei" - muda a situação.

O reino de Jesus "não é violento", "não tem exército", diz Bento XVI. Com suas palavras, "Jesus criou um conceito completamente novo de realeza e de reino", descrevendo a essência de sua realeza como o "testemunho da verdade".

"O que é verdade? Não foi somente Pilatos quem encurralou esta pergunta como sem solução e, para a sua tarefa, impraticável - indica o Pontífice. Também hoje, no debate político, bem como na discussão sobre a formação do direito, esta questão é incômoda. Mas, sem a verdade, o homem não acolhe o sentido da sua vida; deixa, no final das contas, o campo para os mais fortes."

"Será que a política pode assumir a verdade como categoria para a sua estrutura?", pergunta o Papa.

"Testemunhar a verdade - observa ele - significa pôr em evidência Deus e sua vontade frente aos interesses do mundo e de suas potências"; significa "decifrar a criação e sua verdade acessível de tal modo, que esta possa constituir a medida e o critério orientador no mundo do homem".

"Digamos também: a não-redenção do mundo consiste na falta de compreensão da criação e no não-reconhecimento da verdade, uma situação que depois conduz inevitavelmente ao domínio do pragmatismo, e, dessa forma, o poder dos fortes se converte no deus deste mundo."

"Redenção, no sentido pleno da palavra, pode consistir apenas no fato de que a verdade se torne reconhecível. E esta se torna reconhecível quando Deus se torna reconhecível. Ele se torna reconhecível em Jesus Cristo. Por Ele, Deus entrou no mundo e, com isso, elevou o critério da verdade no meio da história".

Judas
No capítulo "O lava-pés", o Papa recorda que Jesus, profundamente perturbado, diz: "Em verdade, em verdade, eu vos digo: um de vós me trairá" (Jo 13, 21).

"A ruptura da amizade chega inclusive até a comunidade sacramental da Igreja, onde há sempre novas pessoas que tomam do ‘seu pão' e o traem."

"Quem rompe sua amizade com Jesus, quem se livra do seu ‘jugo suave', não conquista a liberdade, não se torna livre, mas sim escravo de outros poderes."

"No entanto, a luz que, vindo de Jesus, tinha caído na alma de Judas, não se apagou completamente. Há um primeiro passo para a conversão: ‘Eu pequei', disse ele aos sumos sacerdotes. Judas tenta salvar Jesus e devolve o dinheiro. Tudo o que de puro e grande ele tinha recebido de Jesus, permanecia gravado em sua alma - não poderia esquecê-lo".

A segunda tragédia, depois da traição, é que Judas já não consegue mais acreditar no perdão. Seu arrependimento se converte, então, em desespero.

Judas "nos faz ver, assim, a forma errada do arrependimento", diz o Papa: "um arrependimento que não consegue esperar, mas só vê sua própria escuridão, é destrutivo e já não é mais um verdadeiro arrependimento".

"Faz parte do justo arrependimento a certeza da esperança - uma certeza que nasce da fé no poder maior da Luz que se fez carne em Jesus."

A Última Ceia

O Papa recorda também que "João procura com cuidado não apresentar a Última Ceia como a ceia pascal".

"Tem razão: no momento do julgamento de Jesus diante de Pilatos, as autoridades judaicas ainda não tinham comido a páscoa e, portanto, deveriam manter-se ritualmente puras. (...) A crucificação não ocorreu no dia da festa, mas em sua vigília."

"Mas então por que os sinóticos falaram de uma ceia pascal?", pergunta o Papa.

"Jesus estava ciente de sua morte iminente. Ele sabia que já não poderia comer a Páscoa. Com essa consciência, convidou seus discípulos para uma última ceia de caráter muito particular, uma ceia que não pertencia a nenhum rito judaico determinado, mas que era a sua despedida, na qual Ele oferecia algo novo, oferecia-se como o verdadeiro Cordeiro, instituindo, assim, a sua Páscoa."

"Embora esta ceia de Jesus com os Doze não tenha sido uma ceia pascal segundo as prescrições rituais do judaísmo, em retrospectiva, ficou evidente a conexão interior do conjunto com a morte e ressurreição de Cristo: era a Páscoa de Jesus."

quinta-feira, 3 de março de 2011

Livro de Bento XVI sobre Jesus Cristo sai na semana que vem


"Jesus de Nazaré: de Nazaré a Jerusalém": neste segundo volume de seu livro sobre Jesus, Bento XVI apresenta a morte de Cristo como "reconciliação" (expiação) e cura, e evoca a natureza e o "significado histórico" da ressurreição.

O livro será apresentado no Vaticano em 10 de março, pelo cardeal Marc Ouellet, mas hoje já deram a conhecer alguns extratos e o índice de conteúdos.

Depois do primeiro volume - "Jesus de Nazaré: do batismo no Jordão à transfiguração" -, o segundo propõe "uma reflexão pessoal" sobre a missão, a paixão e a ressurreição de Cristo.

Ele aborda questões fundamentais, como o mal no mundo e a discrição de Deus.

O Papa trata de questões exegéticas, como a data da Última Ceia, pois os relatos dos evangelhos sinóticos - Marcos, Mateus e Lucas - e de João apresentam os acontecimentos de forma diferente.

Esclarece-se, por exemplo, o "mistério do traidor" no capítulo sobre o apóstolo Judas Iscariotes. O lava-pés, diz o Papa, apresenta duas formas diferentes de reações humanas diante do dom de Deus: a de Pedro e a de Judas.

O capítulo 1 é dedicado à entrada de Jesus e à purificação do Templo; o 2, ao discurso escatológico (fim dos tempos, tempo das nações, profecia e apocalíptica no discurso escatológico).

O capítulo 3 é consagrado ao lava-pés (A hora de Jesus, "Vós estais puros", sacramento e exemplo, Dom e dever, o mandamento novo, o mistério do traidor, duas conversas com Pedro, o lava-pés e a confissão do pecado).

O capítulo 4 é dedicado à oração sacerdotal de Jesus (a festa judaica da Expiação como pano de fundo, fundamento bíblico da oração do sumo sacerdote, outros grandes temas da oração: a vida eterna, santifica-os na verdade, eu lhes dei a conhecer o teu nome, que todos sejam um).

O capítulo 5 trata da Última Ceia: datação, instituição da Eucaristia, teologia das palavras da instituição, da Última Ceia à Eucaristia, a manhã do domingo.

O capítulo 6 fala da agonia no Getsêmani: rumo ao Monte das Oliveiras, oração de Jesus, vontade de Jesus e vontade do Pai, oração no Getsêmani e Carta aos Hebreus.

O capítulo 7 é dedicado ao processo de Jesus: discussão no Sinédrio, Jesus perante o Sinédrio, Jesus diante de Pilatos.

O capítulo 8 trata da crucificação e sepultamento: Jesus na cruz (Pai, perdoa-lhes, Jesus zombado, grito de abandono, a túnica, tenho sede, as mulheres, a Mãe de Jesus, a morte de Jesus, a sepultura), a morte de Jesus como reconciliação (expiação) e cura.

O capítulo 9, o último, evoca a Ressurreição de Jesus: o que significa a ressurreição de Jesus? Dois tipos diferentes de testemunhos sobre a ressurreição (Morte de Jesus, o túmulo vazio, o terceiro dia, testemunhas/aparições de Jesus a Paulo, aparições de Jesus nos evangelhos); a natureza da ressurreição e significado histórico.

No epílogo, o Papa aborda os outros artigos do Credo: subiu aos céus, está sentado à direita do Pai, há de vir em glória.

Igreja no Brasil incentiva educação ambiental

A Igreja no Brasil lança na Quarta-feira de Cinzas a Campanha da Fraternidade (CF) 2011, que nesta edição traz como tema “Fraternidade e a Vida no Planeta”.

Segundo informa a CNBB, a motivação do evento é “contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas”.

Pretende-se também motivar as pessoas a participar dos debates e ações que visam a enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta.

Segundo o secretário geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, é a fé que motiva a Igreja a discutir temas como o proposto pela CF-2011.

“A fé nos torna específicos numa discussão como essa. A nossa fundamentação é teológica e se baseia no próprio projeto de Deus para com a criação e para com o ser humano”, afirmou hoje na página na internet da CNBB.

Dom Dimas considera ainda que a ecologia humana é de “suma importância” para as discussões, porque trata a vida como um todo e não distingue a vida do planeta da vida dos seres humanos.

“A ecologia humana é um tema fundamental trazido pelo Papa João Paulo II e, depois, por Bento XVI. De acordo com o Papa, o centro do universo está na pessoa humana e, muitas vezes, as políticas públicas não levam em conta esses dois pontos, principalmente as pessoas mais vulneráveis, os mais pobres.”

A partir de março, o debate do tema proposto pela Campanha ganha as paróquias, comunidades e os mais diversos espaços.

“A temática é uma preocupação social da Igreja que quer despertar as pessoas para a educação ambiental porque, a partir do nosso dia-a-dia, precisamos diminuir o consumo e tomar algumas medidas que impliquem em menos gasto e mais educação para a vida do nosso planeta”, sublinhou o secretário executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias.

De acordo com o secretário, os temas sociais apresentados pelas Campanhas da Fraternidade refletem o papel da Igreja junto à sociedade.

“A Igreja toma esses temas como reflexão para servir à sociedade, porque implicam em sofrimento, dores, morte. A Igreja, imbuída da missão de evangelizar, procura levar a luz de Deus àquela situação, para que brote a vida no seio da sociedade”, disse o padre.

Além do objetivo geral de conscientizar sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas, a CF apresenta alguns objetivos específicos.

Entre eles consta viabilizar meios para formação da consciência ambiental; promover discussões sobre a problemática; mostrar a gravidade e a urgência dos problemas ambientais; denunciar situações e apontar responsabilidades no que diz respeito aos problemas ambientais decorrentes do aquecimento global.

Um dos gestos concretos propostos é a Coleta da Solidariedade, que será realizada em todas as dioceses do país no dia 17 de abril. Os recursos arrecadados dirigem-se aos fundos nacional e diocesano de solidariedade, para atender a projetos ligados aos objetivos da Campanha da Fraternidade.

JMJ premiará cobertura jornalística

A cobertura jornalística da Jornada Mundial da Juventude será reconhecida por meio do prêmio Centinelas del Mañana, da fundação espanhola Crónica Blanca.

Os prêmios se dividem em quatro categorias: artigos jornalísticos, espaços radiofônicos, documentos audiovisuais e jornalismo digital.

Estão convocados todos os jornalistas ou estudantes de comunicação de 16 a 35 anos inscritos na JMJ de Madri e que tenham publicado seu trabalho entre 1º de janeiro e 1º de maior de 2011. Os trabalhos devem ser entregues antes de 15 de maio deste ano.

O júri premiará os trabalhos que melhor refletirem o significado da JMJ e que, em especial, transmitam como a JMJ mudou a vida de jovens. A entrega dos prêmios será no dia 16 de agosto de 2011, no início da JMJ.

Cada uma das categorias concorre a uma gratificação de 1 mil euros, além de uma especialização oferecida pelos colaboradores do prêmio.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Estudante é suspenso em escola nos EUA por usar terço


Um norte-americano foi suspenso, por cinco dias, de uma escola de Collinsville, Estado de Illinois, EUA, por ter o hábito de assistir às aulas usando um terço católico.
O estudante, porém, não foi suspenso por catequizar novos praticantes ou tratar o símbolo religioso como apenas uma peça de joalharia. Segundo o director da escola, depois que proibiram o uso de lenços na cabeça (bandanas), membros de gangues passaram a utilizar o terço como símbolo.
Rodrigo Ávila afirma que o terço que usa não é relacionado com nenhum gangue. "Foi um presente do meu padrinho. Quero usá-lo porque sou religioso", afirmou o estudante à rede de televisão "KSDK".
A mãe do rapaz, Julia Ávila, e um amigo confirmaram que o terço que Rodrigo utiliza é um sinal de seu amor pela Igreja Católica.
"A nossa família é católica e acreditamos muito na Igreja. Significa muito para o meu filho poder carregar a sua fé", disse a mãe.
O código de conduta da escola de Collinsville não diz nada sobre a proibição de terços ou qualquer outro símbolo religioso. A escola proíbe apenas objectos que estejam relacionados com gangues.
Fonte: http://www.jn.pt

Entra em vigor a nova lei de cidadania do Vaticano

Hoje entrou em vigor a nova lei que regula a cidadania, o acesso e a residência no Estado da Cidade do Vaticano. Esta lei, promulgada pelo Papa Bento XVI no dia 22 de fevereiro, substitui a anterior, de 1929.

A nova regulação prevê uma série de modificações. Duas são particularmente importantes: maior controle do acesso, especialmente de veículos, ao interior do território, e a instituição de uma figura legal que não estava prevista na lei anterior, mas que já era habitual: a do residente.

Em artigo publicado hoje por L'Osservatore Romano, o presidente do Comitê de redação da lei, Dom Giorgio Corbellini, explica as razões pelas quais era necessária uma nova lei de cidadania.

Em primeiro lugar, porque o marco jurídico de referência mudou, com a aprovação de uma nova Lei Fundamental, por João Paulo II, a 26 de novembro de 2000, e de uma nova Lei sobre as Fontes do Direito, por Bento XVI, a 1º de outubro de 2008, revogando as anteriores de 1929.

Em segundo lugar – explicou Dom Corbellini –, era necessário adequar as leis vaticanas à atual situação, tendo em vista as profundas mudanças que houve desde 1929.

Uma das primeiras modificações é a simplificação: a lei anterior tinha três capítulos, um anexo e um total de 33 artigos. A atual, em contrapartida, tem quatro capítulos, mas só 16 artigos.

“O texto foi objeto de uma notável simplificação; em alguns casos, remete a determinações deixadas à atividade regulamentar”, afirma o bispo.

Cidadão e residente

Cidadãos do Vaticano são o Papa, os cardeais que residem no Vaticano ou em Roma, os membros do Corpo Diplomático vaticano que estão em funções, e outros responsáveis vaticanos em razão do cargo ou do serviço que desempenham. A cidadania não é obtida por nascimento, mas por concessão.

A primeira novidade é a tipificação da figura do residente, quer dizer, de quem vive no Vaticano sem ter a cidadania.

Esta figura – explica Dom Corbellini –, “adquiriu cada vez maior importância na realidade vaticana; no transcurso dos anos, muitas pessoas habitantes no Estado preferiram, ainda cumprindo os requisitos, não assumir a condição de cidadão, que na lei de 1929 era considerada a situação normal dos que viviam nele”.

De fato, o Vaticano tem atualmente mais de 800 habitantes, mas só 572 cidadãos, dos quais habitam no território apenas cerca de 220.

A razão da “diáspora” é que grande parte dos cidadãos vaticanos são núncios e diplomatas.

Outra novidade da lei é o reconhecimento da cidadania aos núncios e diplomatas enquanto exercem o cargo, fato que não constava na lei anterior.

Acesso

A segunda grande novidade é a regulação dos acessos, em particular do trânsito pedestre e automotivo, uma situação que mudou muito desde 1929.

O Vaticano tem duas partes, uma de livre acesso (à Basílica de São Pedro, à Praça de São Pedro e aos Museus Vaticanos) e outra restrita.

Na parte de livre acesso há apenas controles comuns de segurança. Na parte restrita, será necessário um cartão de ingresso ou um passaporte permanente.

Outra disposição se refere aos veículos. A nova lei prevê que só podem entrar com veículos automotivos na área restrita do Vaticano os cidadãos, os residentes ou os que possuem a permissão especial.

França enfrenta problemas com laicidade e islamismo

Depois de ter abordado temas delicados, como a chamada "identidade nacional" e o uso o véu muçulmano integral em público, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, está novamente se preparando para entrar em território perigoso, o da "laicidade", em particular o da compatibilidade do islamismo com a república e os valores republicanos.

Seu partido, a UMP (União para o Movimento Popular), marcou para 5 de abril uma convention sobre "o exercício dos cultos religiosos na República leiga, em particular o exercício do culto da fé islâmica". Estas foram as palavras do secretário-geral da formação de direita, Jean-François Copé (la-Croix.com, 17 de fevereiro).

Recebendo, na quarta-feira, 16 de fevereiro, os deputados da UMP, o presidente denunciou "a brecha crescente entre a mídia e a preocupação francesa" sobre as questões do Islã e da laicidade. "Nós pagamos muito caro pela cegueira sobre a imigração dos anos 80. Era um debate tabu. Com a laicidade e o Islã ocorre a mesma coisa", disse Sarkozy, que pediu, para este ano, propostas concretas sobre elementos como o conteúdo das pregações dos imames e dos lugares de culto dos muçulmanos (Le Figaro, 17 de fevereiro).

Sarkozy quer parar, particularmente, o mal visto fenômeno das reuniões dos muçulmanos para rezar na rua. "Devemos ter um debate sobre a oração na rua. Em um país leigo, não devem existir convites à oração na rua", continuou Sarkozy. "É preciso chegar a um corpus ideológico em 2011", disse aos deputados da UMP.

A direita tampouco rejeita a alteração da lei de 1905 sobre a separação entre Igreja e Estado, que estipula que "a República não reconhece, nem paga, nem subvenciona qualquer culto". Foi o secretário de Estado da Habitação e Desenvolvimento Urbano, Benoît Apparu, quem confirmou a ideia de permitir um financiamento público para os locais de culto. "Em minha opinião, é necessário facilitar a construção de mesquitas em nosso país, mesmo que o Estado deva participar", disse à Radio Montecarlo e BFM-TV. De acordo com Apparu, se necessário, será feita uma reforma da legislação.

Nem todos os expoentes do governo do primeiro-ministro François Fillon parecem dispostos a tocar na "lei símbolo" da França secular. O ministro do Orçamento e porta-voz do governo Fillon, François Baroin, disse em Europe 1 que, "na agenda do governo, não há um texto leve a uma mudança na lei de 1905; e como líder político da UMP e encarregado do debate, não serei favorável à modificação da lei de 1905".

Sobre este tema também opinou, em entrevista ao Le Figaro, em 17 de fevereiro, outra figura-chave da maioria, o atual ministro da Defesa e fundador da UMP, Alain Juppé. "A lei republicana - disse - deve ser aplicada em condições de igualdade para todos. Certamente, existe diversidade. Mas o princípio republicano (...) é que a lei não pode aceitar as distinções com base em critérios religiosos ou étnicos."

"No que diz respeito aos direitos, é imperioso dizer que os muçulmanos, bem como os católicos, judeus, protestantes e outros, têm o direito de poder praticar sua religião. Entre os deveres, está o respeito pelos valores republicanos, em especial à igualdade entre homens e mulheres", acrescentou Juppé.

A oposição criticou a iniciativa de Sarkozy e da UMP, acusando-os de desejo de destaque, tendo em conta os eventos eleitorais de 2012 (presidenciais e legislativos) e de quer roubar espaço à extrema direita, que há meses está usando o tema em sua campanha contra a islamização da França. Para o deputado Henri Emmanuelli (PS), Sarkozy ficou para trás. "Ele ainda não compreendeu que, com este tipo de iniciativas, ele trabalha para Marine Le Pen", disse o ex-ministro socialista, convidado do programa Le Talk-Orange-Le Figaro.

Segundo Sarkozy, a esquerda está errada. "Marine Le Pen propôs os problemas, mas trabalha pouco pelas soluções": assim se defendeu das críticas o ocupante do Palácio do Eliseu (Le Figaro, 17 de fevereiro). No entanto, resta o fato de que a extrema direita cresce nas pesquisas, roubando intenções de voto da UMP. De acordo com uma recente pesquisa do IFOP (Institut français d'opinion publique) para o jornal France-Soir, a jovem Le Pen (nascida em 1968) aumentaria para 19-20% das preferências no primeiro turno presidencial de 2012, em comparação com os 22-23% para o presidente Sarkozy.

A própria Marine Le Pen pediu à UMP "mais um pequeno esforço". "Quero destacar que, quando a FN é de 15% nas pesquisas, a UMP fala sobre os problemas", disse Le Point.fr (17 de fevereiro). "Mas eu não sou boba - continuou; a convenção da UMP é apenas "bla-bla-blá", ou seja, conversa vazia. Para a política, "as orações na rua não são o resultado da falta de espaço nos locais de culto dos muçulmanos. Isso é mentira e manipulação."

A proposta mais drástica foi feita pelo Partido de Esquerda de Jean-Luc Mélenchon, que pediu para retornar ao texto original da lei de 1905, retirando a alteração feita em 1942 por Philippe Pétain, chefe do então governo colaboracionista de Vichy. Mélenchon também solicitou a revogação da Concordata napoleônica de 1801, que ainda estava em vigor na região da Alsácia-Moselle.

Uma coisa é clara: depois da chanceler alemã, Angela Merkel, em outubro de 2010, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, no seu discurso de 5 de fevereiro, durante a 47ª Conferência de Segurança em Munique, também o presidente Sarkozy rejeita, por conseguinte, o "multiculturalismo" ou o que dele se deriva.

"Não queremos uma sociedade na qual as comunidades coexistam próximas umas das outras. Quando se chega à França, deve-se aceitar a incorporação a uma única comunidade, a comunidade nacional", disse Sarkozy na quinta-feira, 10 de fevereiro, ao canal de televisão TF1. De acordo com uma pesquisa publicada no livro "Les Français face aux inégalités et la justice sociale" (que chegará às livrarias em 9 de março), apenas 20% dos franceses querem que os imigrantes "mantenham suas tradições particulares", enquanto 80% quer "que se adaptem e se misturem na sociedade" (La-Croix.com, 17 de fevereiro).

A sociedade multicultural e multiétnica foi defendida por três políticos ecologistas: Esther Benbassa, Noël Mamère e Eva Joly, de Europe Écologie. "A integração e a assimilação são movimentos vindos do alto, autoritários, que não levam em conta as realidades humanas", disseram em um fórum público divulgado em 27 de janeiro no jornal Libération. O trio lança um apelo a favor do que eles chamam de "uma laicidade racional que reconheça a parte da pertença étnica, cultural, religiosa e linguística".

terça-feira, 1 de março de 2011

Para João Paulo II, primeira tarefa de um papa é a oração


O processo de beatificação de João Paulo II foi "uma confirmação da total transparência de sua vida como homem e sacerdote", disse o Pe. Slawomir Oder, postulador da causa de Karol Wojtyla, que será elevado aos altares em 1º de maio.

Isto foi explicado na conferência que ele deu em 25 de fevereiro, no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum de Roma, esclarecendo que "não havia um Wojtyla público e outro privado: A opinião sobre ele, que o mundo amadureceu em seus mais de 26 anos de pontificado, foi demonstrada como verdadeira".

Portanto, "sua simpatia, o fervor da oração, a espontaneidade ao falar de si mesmo, a capacidade de construir relações não eram simples atributos de uma imagem midiática, mas constituíam a essência da sua pessoa".

Porém, o "verdadeiro tesouro" do processo é "a confirmação da fonte de sua coerência, energia, entusiasmo, profundidade e natureza": "o encontro com Deus, seu amor a Cristo e reconhecer-se amado por Ele".

"As pessoas tentam me compreender de fora - disse Woityla, em confidência, certa vez -, mas eu só posso ser compreendido desde dentro." Daí surge "esse autêntico dom, esse prazer e alegria da oração", ao qual Wojtyla "se manteve fiel, mesmo na hora da sua agonia". A oração que constituía "o ar que ele respirava, a água que bebia, o alimento que o nutria". Como se demonstra dos muitos testemunhos, para João Paulo II, "a primeira tarefa do Papa para com a Igreja e o mundo é a de rezar".

"O percurso místico de Wojtyla - disse Oder - apareceu como um progressivo fazer de si mesmo um anawim, o ‘pobre de Israel' que não tem outra esperança nem um ponto de referência fora de Deus."

"Era a partir da oração - acrescentou - que nascia a fecundidade de seu agir." Não por acaso, quando os colaboradores, a quem ele pedia que lhe sugerissem soluções para problemas particulares, admitiam não tê-las encontrado, ele costumava repetir: "Encontraremos as soluções quando orarmos mais".

Da oração nascia também "a capacidade de dizer a verdade sem medo, porque só aqueles que estão diante de Deus não têm medo dos homens".

Uma extraordinária liberdade interior que se expressava principalmente em relação aos bens materiais. "Também como o Papa - afirmou Oder -, ele era um homem de pobreza radical."

"É comovente - contou o sacerdote polonês - o testemunho das pessoas próximas dele em Cracóvia que, para renovar seu guarda-roupa, tinham que recorrer à ‘estratégia' de lavar a roupa nova muitas vezes, para parecer usada, porque sabiam que, do contrário, ele a daria imediatamente a alguma pessoa necessitada."

No entanto, um dos aspectos mais marcantes da sua escolha da pobreza, segundo Oder, é "ter deixado a palavra poética para acolher a Palavra", superando, com a escolha do sacerdócio, "a atração exercida sobre ele por outra vocação, a do teatro".

A liberdade interior se exercitava também com os outros e, apesar de que ele "sabia ouvir e aceitar críticas, preferindo a colaboração", contudo, "não renunciava a assumir posições difíceis e desconfortáveis" por temor "às reações das autoridades hostis à Igreja durante os anos na Polônia", ou pela "incompreensão da opinião pública predominante nos anos do seu pontificado".

Seu objetivo, na verdade, não era "seu próprio êxito ou sua realização autônoma", mas "anunciar a verdade do Evangelho e defender a verdade sobre o homem". Dessa liberdade fundamentada na relação com Deus "nasce o grito ‘não tenhais medo', início e lema do seu pontificado".

Talvez justamente a busca de proximidade com cada pessoa, "no desejo de ser solidário com suas alegrias e tristezas, de buscar e viver a verdade de ser um homem" tornou Wojtyla "tão querido e amado pelo povo de Deus". Foi comprovado, segundo Oder, "um fenômeno singular: Wojtyla, que perdeu muito cedo sua família natural, tinha um forte sentido de família, sabia dar calor humano".

Como evidenciado pelas cartas que continuam chegando ao escritório do postulador e se referem a João Paulo II como "o nosso Papa, Lolek, Karol, tio, avô, pai". Um fenômeno que não se limita aos católicos: "Em um encontro casual - contou Oder -, uma mulher judia me disse que tinha perdido seu pai duas vezes: a primeira quando o seu pai natural morreu, e a segunda com a morte de João Paulo II".

Não se deve esquecer outra característica essencial da personalidade de Wojtyla: "a presença da cruz em sua vida, carregada com dignidade e, no final, em um silêncio que falava mais do que a palavra", reivindicando "o direito à existência que a sociedade do efêmero esconde com vergonha".

"Milhões de pessoas ao redor do mundo - lembrou Oder - conservam na memória a imagem transmitida pela TV, do Papa de costas, em sua capela privada, abraçando a cruz durante a celebração da Sexta-Feira Santa."

"Estou convencido - afirmou Oder - de que realizar o processo tem sido útil." Longe de ser "uma revisão burocrática de uma vida", isso permitiu, no entanto, "restituir intensidade e vigor aos aspectos já conhecidos das vicissitudes humanas do Papa Wojtyla, junto aos episódios inéditos oferecidos ao por tudo em comum".

Se "o objetivo da Igreja, como Wojtyla dizia, é levar o maior número de pessoas à santidade", o povo dos devotos "não tem dúvida alguma - concluiu Oder - sobre a singularidade do seu exemplo, levado até o sacrifício extremo".

Bento XVI: “O aborto não resolve nada”


Em uma sociedade muitas vezes caracterizada pelo "eclipse do sentido da vida", o Papa Bento XVI voltou a afirmar que "o aborto não resolve nada", mas, ao contrário, cria problemas sérios para todos os envolvidos.

O Papa recebeu em audiência, no sábado passado, os participantes da 17ª Assembleia Geral da Pontifícia Academia para a Vida (PAV), enfatizando o "engano" a que se induz "a consciência de muitas mulheres que acreditam encontrar no aborto a solução para as dificuldades familiares, econômicas, sociais ou para os problemas de saúde de seus filhos".

"Especialmente neste último caso, a mulher é convencida, muitas vezes pelos próprios médicos, de que o aborto é uma escolha não só moralmente lícita, mas também um ato ‘terapêutico' necessário para evitar o sofrimento do filho e da sua família e uma carga ‘injusta' para a sociedade", declarou.

"Em um contexto cultural caracterizado pelo eclipse do sentido da vida, que reduziu a percepção comum da gravidade moral do aborto e de outras formas de ameaçar a vida humana, os médicos precisam de uma fortaleza especial para continuar afirmando que o aborto não resolve nada, que mata o filho, que destrói a mulher e cega a consciência do pai da criança, muitas vezes arruinando a vida familiar."

Este dever, frisou, não se limita "à profissão de médico ou de profissional de saúde".

De fato, é necessário que "toda a sociedade defenda o direito à vida do nascituro e o verdadeiro bem da mulher, que nunca, sob quaisquer circunstâncias, será respeitado na escolha do aborto".

Da mesma forma, é preciso "prestar a ajuda necessária às mulheres que, infelizmente, já recorreram ao aborto e agora experimentam todo o drama moral e existencial".

Neste contexto, o Papa recordou as muitas iniciativas, "no âmbito diocesano ou por meio de entidades de voluntariado individual", que oferecem "apoio psicológico e espiritual para a recuperação humana completa".

"A solidariedade da comunidade cristã não pode renunciar a este tipo de responsabilidade", afirmou.

Consciência moral
A questão do aborto, continuou Bento XVI, interpela a consciência moral do indivíduo.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica (nº 1778), a consciência moral é "um juízo da razão, pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral de um ato concreto que vai praticar, que está prestes a executar ou que já realizou".

Na verdade, é dever da consciência moral "discernir o bem do mal em diversas situações da vida, de modo que, sobre a base desse juízo, o ser humano possa livremente abraçar o bem".

"Muitos querem negar a existência da consciência moral no homem, limitando sua voz ao resultado de condicionamentos externos ou a um fenômeno puramente emocional; é importante afirmar que a qualidade moral da ação humana não é um valor extrínseco ou facultativo, e não é sequer uma prerrogativa dos cristãos ou dos crentes, mas comum a todo ser humano", indicou o Pontífice.

"Na consciência moral, Deus fala a cada um e convida a defender a vida humana em todos os momentos. Neste vínculo pessoal com o Criador está a dignidade profunda da consciência moral e a razão da sua inviolabilidade."

"Mesmo quando o homem rejeita a verdade e o bem que o Criador lhe oferece, Deus não o abandona, mas, através da voz da consciência, continua procurando-o e falando com ele, para que reconheça seu erro e se abra à Misericórdia divina, capaz de curar qualquer ferida."

Promover a pesquisa

Outro ponto importante abordado na Assembleia Plenária da PAV foi "o uso de bancos de sangue de cordão umbilical para fins clínicos e de pesquisa".

O que está em jogo é o valor e, portanto, o compromisso da pesquisa científica e médica, "não só para pesquisadores, mas para toda a comunidade civil", e daí nasce o "dever de promover as pesquisas eticamente válidas por parte das instituições e o valor da solidariedade dos indivíduos na participação em pesquisas dirigidas a promover o bem comum".

No caso do uso de células-tronco do cordão umbilical, reconheceu o Papa, "trata-se de aplicações clínicas importantes e de pesquisas promissoras no âmbito científico, mas, para a sua execução, muitas dependem da generosidade na doação do sangue do cordão no momento do parto".

Para isso, ele convidou os presentes a serem "promotores de uma verdadeira e consciente solidariedade humana e cristã".

Neste contexto, recordou que "muitos pesquisadores médicos ficam justamente perplexos diante do florescimento de bancos privados de armazenamento de sangue do cordão umbilical para uso exclusivamente autólogo". Esta opção, "além de carecer de uma real superioridade científica com relação à doação do cordão, enfraquece o espírito de solidariedade que deve incentivar constantemente a busca desse bem comum ao qual, em última instância, a ciência e a pesquisa médica tendem".

Por esta razão, concluiu com a esperança de que os participantes mantenham "sempre vivo o verdadeiro espírito de serviço que torna os corações e mentes sensíveis ao reconhecimento das necessidades dos homens que são nossos contemporâneos".

Igreja deve falar a “nova linguagem” da comunicação, diz Papa


Bento XVI considera que a Igreja católica deve aprender e falar a “nova linguagem” dos meios de comunicação e das redes digitais.

Esse foi o desafio que o pontífice deixou nesta segunda-feira aos participantes na assembleia plenária do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, que reúne até quinta-feira no Vaticano representantes eclesiais, comunicadores e especialistas em comunicação dos cinco continentes.

“Não se trata só de expressar a mensagem evangélica na linguagem de hoje, mas de ter o valor de restabelecer de uma maneira mais profunda, como aconteceu em outras épocas, a relação entre a fé, a vida da Igreja e as mudanças que o homem está vivendo”, afirmou o Papa.

Bento XVI deixou ao Conselho das Comunicações a tarefa de aprofundar sobre o tema da “cultura digital”, “estimulando e apoiando a reflexão para uma maior consciência sobre os desafios que esperam a comunidade eclesial e civil”.

O bispo de Roma alentou os participantes na assembleia ao “compromisso de ajudar todos que têm responsabilidade na Igreja a ser capazes de entender, interpretar e falar a ‘nova linguagem’ da mídia em função pastoral, em diálogo com o mundo contemporâneo”.

Para isso, é necessário responder a estas perguntas: “Que desafios o chamado pensamento digital lança à fé e à teologia? Que perguntas e requisitos?”

Novos símbolos e metáforas

“A cultura digital lança novos desafios a nossa capacidade de falar e escutar uma linguagem simbólica que fale da transcendência”, disse.

O próprio Jesus – afirmou o Santo Padre –, “no anúncio do Reino, soube utilizar elementos da cultura e do ambiente de seu tempo: o rebanho, os campos, o banquete, as sementes, etc.”

“Hoje somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ser de ajuda ao falar do Reino de Deus ao homem contemporâneo”, convidou o Papa.

Comunicação humana

A proposta do Papa é “promover uma comunicação verdadeiramente humana”, que deve analisar o novo fenômeno comunicativo “além de todo entusiasmo ou ceticismo fácil”.

A contribuição dos crentes – afirmou – deve ajudar “o próprio mundo dos meios de comunicação, abrindo horizontes de sentido e de valor que a cultura digital não é capaz por si só de entrever e representar”.