quarta-feira, 9 de março de 2011

Sacerdote deve se converter à sua própria identidade

O sacerdote deve ser um “pedaço vivente do Evangelho que todos possam ler e acolher”, e para isso deve fazer a experiência profunda da “conversão à sua própria identidade”.

É o que afirma o cardeal Mauro Piacenza, prefeito da Congregação para o Clero, em uma carta dirigida aos sacerdotes por ocasião da Quaresma.

“Devemos nos converter naquilo que somos”, escreve o purpurado. “A identidade, recebida sacramentalmente e acolhida por nossa humanidade ferida, pede-nos o progressivo moldar de nosso coração, de nossa mente, de nossas atitudes, de tudo quanto somos, à imagem de Cristo Bom Pastor, que foi impressa sacramentalmente em nós”. “É na eucaristia que o sacerdote redescobre a própria identidade”.

Segundo o cardeal, “um mundo descristianizado precisa de uma nova evangelização, mas uma nova evangelização exige sacerdotes ‘novos’, mas não no sentido de impulso superficial de uma efêmera moda passageira, mas com um coração profundamente renovado por cada Santa Missa”.

Importante é sobretudo “a conversão do ruído ao silêncio, da preocupação com ‘fazer’ para o ‘estar’ com Jesus”. Mas também a conversão à comunhão, que se realiza “redescobrindo o que realmente significa: comunhão com Deus e com a Igreja e, nela, com os irmãos. A comunhão eclesial se caracteriza fundamentalmente pela consciência renovada e experimentada de viver e anunciar a mesma doutrina, a mesma tradição, a mesma história de santidade e, portanto, a mesma Igreja”.

“Estamos chamados a viver a Quaresma com um profundo sentido eclesial, redescobrindo a beleza de estar em uma comunidade de êxodo, que inclui toda a Ordem sacerdotal e todo nosso povo, que olha os próprios pastores como um modelo de segura referência e espera deles um renovado e luminoso testemunho.”

A Igreja e o mundo têm necessidade de “sacerdotes serenamente penitentes diante do Santíssimo Sacramento, capazes de levar a luz da sabedoria evangélica e eclesial às circunstâncias contemporâneas, que parecem desafiar nossa fé, que se tornem na realidade autênticos profetas, capazes, por sua vez, de lançar ao mundo o único desafio autêntico: o desafio do Evangelho, que chama à conversão”.

“Às vezes – concluiu – o cansaço é verdadeiramente grande e vivenciamos ser poucos, em relação às necessidades da Igreja. Mas, se não nos convertemos, seremos cada vez menos, porque só um sacerdote renovado, convertido, ‘novo’, converte-se em instrumento eficaz, através do qual o Espírito chama novos sacerdotes.”

segunda-feira, 7 de março de 2011

Papa: não construir sobre a areia do poder e do dinheiro


Cristo é a “base sólida” onde se construir a vida; os fundamentos da existência não devem ser “as areias das ideologias, do poder, do sucesso e do dinheiro”.

O Papa Bento XVI fez essa afirmação neste domingo, ao introduzir a oração do Angelus com os peregrinos presentes na Praça de São Pedro. O pontífice referiu-se à Liturgia da Palavra do dia, que traz a parábola das duas casas, uma construída sobre a rocha e outra sobre a areia.

Com esta parábola, Cristo “coloca o discípulo e seu caminho de fé no horizonte da Aliança, constituída pela relação que Deus estabeleceu com o homem, através do dom de sua Palavra, entrando em comunicação conosco”, disse o Papa.

Jesus “é a Palavra vivente de Deus. Quando ensinava, as pessoas reconheciam em suas palavras a própria autoridade divina, sentiam a proximidade do Senhor, seu amor misericordioso, e louvavam a Deus”.

“Em toda época e em todo lugar, quem tem a graça de conhecer Jesus, especialmente através da leitura do santo Evangelho, fica fascinado por Ele, reconhecendo que em sua pregação, em seus gestos, em sua Pessoa, Ele nos revela o verdadeiro rosto de Deus, e ao mesmo tempo revela-nos, faz-nos sentir a alegria de ser filhos do Pai que está nos céus, indicando-nos a base sólida sobre a qual edificar nossa vida.”

Mas – advertiu o Papa – “frequentemente o homem não constrói sua atuação, sua existência, sobre esta identidade, e prefere as areias das ideologias, do poder, do sucesso e do dinheiro, pensando encontrar neles estabilidade e a resposta à inapagável demanda de felicidade e de plenitude que leva na própria alma”.

“E nós, sobre o que queremos construir nossa vida? Quem pode responder verdadeiramente à inquietude de nosso coração?”, interrogou os presentes.

“Cristo é a rocha de nossa vida! Ele é a Palavra eterna e definitiva que não faz temer nenhum tipo de adversidade, de dificuldade, de moléstia (cf. Verbum Domini, 10). Que a Palavra de Deus possa permear toda nossa vida.”

Por isso, o Papa convidou os presente a “se encontrar, todo dia, com a Palavra de Deus, e nutrir-vos dela, meditá-la continuamente”.

“É uma ajuda preciosa também para se proteger de um ativismo superficial, que pode satisfazer por um momento o orgulho, mas que, ao final, deixa-nos vazios e insatisfeitos”, concluiu.

A violência na Bíblia volta à moda entre os ateus

Voltam à cena as manifestações de ateus que afirmam que a religião promove a violência e a injustiça, baseando-se em passagens do Antigo Testamento que contrastam bastante com os valores contemporâneos.

Paul Copan responde a estas acusações num livro de recente publicação, Is God a Moral Monster? Making Sense of the Old Testament God (Deus é um monstro moral? O sentido do Deus do Antigo Testamento), da Baker Books.

O título do livro vem de um ataque do ateu militante Richard Dawkins, que chama Deus de "monstro moral". Dawkins acusa Deus de ser ciumento, mesquinho, injusto e vingativo, observa Copan.

O também ateu Christopher Hitchens afirma que o Antigo Testamento fornece justificativas para o tráfico de seres humanos, para a escravidão e para os massacres. Daniel Dennet, por sua vez, apresenta Deus como insaciável de louvores, por dizer que criou os seres humanos à sua imagem e com isto revelar a sua vaidade.

Copan responde que, ao criar os seres humanos, Deus exprime a sua amabilidade e os deixa livres para se relacionarem com Ele, além de dotá-los de pensamento racional e de criatividade. "Isto é um privilegio, não escravidão", exclama.

Longe de manifestar egoísmo, o desejo divino da nossa adoração reflete que Deus gostaria que o homem não se afastasse da realidade suprema, explica Copan. Adorando a Deus, mostramos que sabemos qual é o nosso verdadeiro lugar.

A nossa adoração flui naturalmente quando desfrutamos de Deus. Adorar a Deus provém da nossa alegria pela sua presença e da consciência do que é mais valioso na nossa vida.

Copan observa também que podemos ver a humildade de Deus na encarnação de Cristo, que assumiu a nossa natureza humana e morreu na cruz por nós.

Passagens "estranhas"

Vários capítulos do livro de Copan examinam o que os ateus chamam de “caráter estranho" da Bíblia: passagens que tratam de leis sobre a alimentação, a escravidão, o tratamento às mulheres e outros temas polêmicos.

Copan cita Mateus 19, 8, onde Jesus explica que Moisés permitiu o divórcio por causa da dureza do coração das pessoas. Uma sociedade patriarcal, a escravidão, a primogenitura e outros costumes eram a norma da época.

A lei mosaica foi pensada para ser temporal. Se ela é estranha ou cruel aos nossos olhos, ainda assim significou uma melhora nos costumes e nas estruturas sociais do Oriente Médio da época.

O Antigo Testamento, para dar um exemplo, limitava os castigos infligidos aos escravos, ao contrário do que ocorria nos países circundantes, onde os escravos estavam totalmente à mercê dos seus amos. Em Israel, também, os escravos estrangeiros fugitivos deviam ser acolhidos.

Outros códigos, como o de Hamurábi, tinham muito menos respeito pela vida humana do que o código mosaico. Muitas das leis, além disso, sofriam restrições de outras leis. O Antigo Testamento prescrevia a pena de morte para dezesseis crimes, mas em quinze deles o juiz podia sentenciar uma pena menor. A lei mosaica, portanto, é menos estrita do que os códigos orientais próximos, afirma Copan.

Outra diferença entre os códigos, identificada por Copan, era a do valor da vida não nascida. Algumas passagens do Antigo Testamento afirmam o valor intrínseco da criança ainda no ventre materno.

Violência

Copan observa que alguns ateus afirmam que a religião é violenta por natureza; com isto, eles pregam a necessidade de mais valores do Iluminismo e menos valores da religião. Copan retruca que precisamos de mais religião, e não menos.

A nossa fé bíblica apoia a tolerância e, apesar dos nossos desacordos, afirmamos que todos os seres humanos são feitos à imagem de Deus. São Paulo, por isso, proclama que Cristo eliminou as divisões de raças, classes e gêneros (Gálatas 3, 28; Efésios 2, 11-22) e que somos chamados a vencer o mal com o bem (Romanos 12, 21).

Devemos levar em consideração, porém, que nem todas as religiões são iguais, acrescenta Copan. Os politeístas, que adoravam os imperadores romanos, perseguiam os cristãos porque eles se recusavam a adorar outros deuses.

Ao tratar da violência cometida por nações cristãs, Copan afirma que é simplista reduzir a sua causa a um fator puramente religioso. É preciso considerar as influências políticas e sociais junto com os abusos políticos da religião. Embora a guerra possa ser empreendida em nome da religião, ela também pode ser uma forma de justificar conflitos cujas causas são outras.

É verdade que no Antigo Testamento encontramos práticas que não se aproximam do ideal apresentado nos dois primeiros capítulos do Gênesis, que afirma o princípio da igualdade e da dignidade humana, admite Copan. Não podemos defender essas práticas; antes, devemos apresentar o Novo Testamento, onde encontramos testemunhos contrários a elas.

Deus não impôs leis a Israel para as quais o povo não estava preparado. Em vez disso, fez o povo de Israel avançar gradualmente ao longo do caminho do progresso moral, continua Copan. Quando lemos sobre os massacres dos inimigos de Israel, por exemplo, não devemos justificar aquelas ações. Elas aconteceram em circunstâncias culturais de menor “refinamento moral”. E mostram, ainda, que Deus pode guiar o homem para a sua meta redentora apesar dessas limitações.

Antigo e Novo Testamento

A Igreja Católica encarou as assim chamadas “passagens obscuras” da bíblia na "Verbum Domini", a exortação apostólica pós-sinodal sobre a "Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja", de 30 de setembro do ano passado (números 41-42).

O Novo Testamento reconhece o Antigo como palavra de Deus, explica Bento XVI; por isso é que o cita com frequência e o emprega como prova das suas afirmações.

As raízes do cristianismo estão no Antigo Testamento e devemos nutrir-nos delas, afirma a exortação. A doutrina cristã sempre resistiu às tentativas de contrapor o Antigo Testamento ao Novo, continua o Papa.

Por outro lado, é na vida e nos ensinamentos de Cristo que as escrituras do povo judeu acharam a plenitude. A exortação observa que este conceito de plenitude se compõe de três dimensões: a continuidade, a descontinuidade e a transcendência.

"O mistério pascal de Cristo é plenamente conforme com as profecias e com o caráter prefigurativo das Escrituras, de um modo que não era previsível; apesar disso, ele apresenta evidentes aspectos de descontinuidade em relação às instituições do Antigo Testamento", observa o Papa.

"O Novo Testamento está escondido no Antigo e o Antigo se manifesta no Novo", afirma ainda o pontífice, citando Santo Agostinho.

Revelação de Deus e cultura


Ao chegar às passagens do Antigo Testamento que mostram sua dificuldade devido ao fato de apresentarem violência ou imoralidade, a exortação explica que é necessário recordar que a revelação tem suas raízes na história.

“O plano de Deus manifesta-se progressivamente nela e se realiza lentamente por etapas sucessivas, não obstante a resistência dos homens”, observa a exortação.

Deus se revela assim dentro de um particular nível cultural e moral e há uma descrição de fatos e costumes daquela época. Esta é a razão pela qual ao mundo de hoje podem causar rechaço os atos “obscuros” descritos.

Ainda assim, a exortação assinala que os profetas do Antigo Testamento enfrentavam constantemente todo tipo de injustiça e esta era a forma em que Deus preparava seu povo para receber o Evangelho.

“Por isso, exorto os estudiosos e os pastores a que ajudem todos os fiéis a se aproximar também destas páginas mediante uma leitura que os faça descobrir seu significado à luz do mistério de Cristo”, conclui o Papa. Algo a se levar em conta quando houver um ataque superficial de um ateu.

Morte de católico no Paquistão: “Despertar as consciências”

O Papa Bento XVI demonstrou hoje após o Angelus sua preocupação com os episódios de violência na África e na Ásia.

“Acompanho continuamente e com grande apreensão as tensões que nestes dias se registraram em diversos países da África e da Ásia”, afirmou o Papa.

O pontífice aludiu ao assassinato a tiros, na quarta-feira passada, do ministro paquistanês para as minorias, o católico Shahbaz Bhatti, em uma emboscada.

O Papa mostrou sua esperança em que “o comovedor sacrifício da vida” do ministro “desperte nas consciências o valor e o compromisso de proteger a liberdade religiosa de todos os homens e, desta forma, de promover sua igual dignidade”.

Ele também falou sobre a atual situação na Líbia, “onde os recentes enfrentamentos provocaram numerosos mortos e uma crescente crise humanitária”.

“A todas as vítimas e àqueles que se encontram em situações angustiantes, asseguro minha oração e minha proximidade, enquanto peço assistência e socorro para as populações atingidas”, concluiu o Papa.

domingo, 6 de março de 2011

Liturgia Da Palavra


Missa Do 9ª Domingo Do Tempo comum

PRIMEIRA LEITURA

Leitura do Livro do Deuteronômio:

Moisés falou ao povo, dizendo: 18“Incuti estas minhas palavras em vosso coração e em vossa alma; amarrai-as, como sinal, em vossas mãos e colocai-as como faixas sobre a testa.
26Eis que ponho diante de vós bênção e maldição; 27a bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos prescrevo; 28a maldição, se desobedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus e vos afastardes do caminho que hoje vos prescrevo, para seguirdes outros deuses que não conhecíeis. 32Tende, pois, grande cuidado em cumprir todos os preceitos e decretos que hoje vos proponho”.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
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SALMO RESPONSORIAL

— Senhor, eu ponho em vós a confiança;/ sede uma rocha protetora para mim!
— Senhor, eu ponho em vós a confiança;/ sede uma rocha protetora para mim!

— Senhor, eu ponho em vós minha esperança;/ que eu não fique envergonhado eternamente!/ Porque sois justo, defendei-me e libertai-me;/ apressai-vos, ó Senhor, em socorrer-me!

— Sede uma rocha protetora para mim,/ um abrigo bem seguro que me salve!/ Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza;/ por vossa honra orientai-me e conduzi-me!

— Mostrai serena a vossa face ao vosso servo,/ e salvai-me pela vossa compaixão!/ Fortalecei os corações, tende coragem,/ todos vós que ao Senhor vos confiais.
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SEGUNDA LEITURA

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

Irmãos: 21Agora, sem depender do regime da Lei, a justiça de Deus se manifestou, atestada pela Lei e pelos Profetas; 22justiça de Deus, essa que se realiza mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os que têm a fé. Pois diante dessa justiça não há distinção: 23todos pecaram e estão privados da glória de Deus, 24e a justificação se dá gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Jesus Cristo.
25aDeus destinou Jesus Cristo a ser, por seu próprio sangue, instrumento de expiação mediante a realidade da fé.
28Com efeito, julgamos que o homem é justificado pela fé, sem a prática da Lei judaica.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
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SANTO EVANGELHO

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 21“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus.
22Naquele dia, muitos vão me dizer: ‘Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos muitos milagres?’
23Então eu lhes direi publicamente: ‘Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós, que praticais o mal’.
24Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha.
26Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!”

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

sábado, 5 de março de 2011

Papa recorda mil anos de relação com Islândia


As relações que vinculam a Islândia com a Sé Apostólica há mil anos foram o foco da audiência que o Papa Bento XVI concedeu nesta manhã ao presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson.

O presidente se reuniu, mais tarde, com o cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de Estado, acompanhado por Dom Dominique Mamberti, Secretário para as Relações com os Estados.

Uma nota divulgada pela Sala de Imprensa da Santa Sé, no final do encontro, explicou que na audiência "nos focamos no bom estado das relações que, há mil anos, vinculam a Islândia com a Sé Apostólica e que são representados simbolicamente pela figura de Gudridur Thorbjarnardottir, pioneira da fé cristã na ilha".

Grímsson, destaca o texto, quis oferecer ao Papa uma escultura de Thorbjarnardottir, "em memória da peregrinação que teria realizado a Roma, logo após o ano 1000, encontrando-se com o Sucessor de Pedro".

Na audiência, também recordou "a estima pela pequena comunidade católica do país", destacando "a válida contribuição que oferece à sociedade islandesa, com suas iniciativas no âmbito educativo e social, sobretudo na atual conjuntura econômica".

Foram abordados, depois, temas de interesse comum, no âmbito nacional e internacional, "especialmente o papel dos valores tradicionais na construção da nação e a contribuição da Islândia na promoção da paz, na convivência pacífica das diferentes comunidades e na proteção do ambiente", conclui a nota.

A Islândia tem uma população de aproximadamente 310 mil habitantes. Os católicos são cerca de 2%.

Judeus e cristãos condenam violência em nome da religião

Judeus e cristãos condenam todo ato de violência feito "em nome da religião", como "uma corrupção da verdadeira natureza da relação com Deus".

O 21º Encontro do Comitê Internacional de Ligação Católico-Judaica (ILC) foi realizado em Paris (27 de fevereiro a 2 de março) e dele participaram 70 representantes do judaísmo mundial e da Santa Sé, sobre o tema "40 anos de diálogo: reflexões e perspectivas de futuro".

Segundo uma declaração conjunta divulgada ontem pela Santa Sé, afirma-se que esta seção "sublinhou os resultados obtidos no diálogo entre judeus e católicos, em um mundo em rápida transformação".

O comunicado deplora as discriminações contra as minorias religiosas, as injustiças das quais elas são objeto e a falta de liberdade: "Os participantes reconheceram que o que está acontecendo na África do Norte e no Oriente Médio é sinal de uma exigência de liberdade por parte das novas gerações nessas regiões. Lamentaram também que, em numerosas partes do mundo, as minorias religiosas sejam discriminadas e ameaçadas por restrições injustas".

Os participantes expressaram também sua "profunda tristeza pelos repetidos ataques contra os cristãos e as instigações à destruição do Estado de Israel".

A conferência deplorou todo ato de violência perpetrado "em nome da religião", vendo nele uma "corrupção da verdadeira natureza da relação com Deus", sublinhou o comunicado.

Os participantes se comprometeram a prosseguir seu trabalho por um futuro de paz na região do Oriente Médio, reiterando a importância das boas relações entre cristãos e judeus, em todos os níveis e situações.

A realização deste evento na França foi uma oportunidade para divulgar o exemplar trabalho de aproximação levado a cabo por católicos e judeus da França, segundo explicou a Conferência Episcopal Francesa (CEF), em outro comunicado.

Entre as personalidades presentes na sessão, esteve Richard Prasquier, presidente do Conselho de Representantes das Instituições Judaicas na França (CRIF), quem concedeu uma entrevista a Paris-Notre Dame.

Durante a abertura do evento, no dia 27, Prasquier anunciou a criação de um memorial "Cardeal Lustiger".

"De acordo com o cardeal André Vingt-Trois, lançamos o projeto de um memorial dedicado ao cardeal Jean-Marie Lustiger, em Négueb, no sul de Israel, no pequeno povoado de Yeroham, perto de Arad, que na Bíblia se chamava ‘Caminho dos Reis'."

"Será, com a ajuda do KKL (Fundo Nacional Judaico), um pequeno anfiteatro cercado por árvores, que permitirá ao visitante ou peregrino descansar e refletir sobre esse homem excepcional, que lutou até os últimos dias da sua vida pela promoção da proximidade entre judeus e católicos e pela erradicação do antissemitismo."

"Quero recordar que o cardeal Decourtray tem seu memorial no Monte Sião, em Jerusalém. Registrar esses pioneiros do diálogo na terra de Israel é uma espécie de dever sagrado."

O cardeal Jean Marie Lustiger, judeu de nascimento, foi arcebispo de Paris entre 1981 e 2005. O cardeal Albert Decourtray foi arcebispo de Lyon entre 1981 e 1994. Ambos foram grandes figuras do diálogo com o povo judeu durante o pontificado de João Paulo II.

Debate sobre meio ambiente é componente importante da cidadania

A Igreja católica no Brasil escolheu como tema de reflexão durante a Quaresma, no contexto da Campanha da Fraternidade, “a vida no planeta”.

Segundo o arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, a consideração da vida no planeta “nasce da importante e interpeladora motivação que toca a fé cristã e a cidadania na sua nobreza”.

“São muitos rostos sofredores por esse mundo afora clamando solidariedade. O olhar lançado sobre a natureza é a referência fundamental para fazer brotar e recuperar sensibilidades”, afirma o arcebispo, em artigo divulgado à imprensa nesta sexta-feira.

Segundo Dom Walmor, é preciso “conscientizar, em relação aos resultados, que as mãos humanas estão produzindo e contribuindo nas mudanças climáticas que têm ocasionado sérios desastres na natureza e na vida de todos”.

“É componente importante da cidadania o debate dos aspectos envolvendo o meio ambiente. As questões são, na verdade, muito complexas. Basta considerar as diferentes posições, não só entre ativistas e governantes, como também no meio científico.”

“Ainda que seja razoável pensar que as mudanças climáticas seguem ciclos próprios da natureza, é inquestionável que a derrubada de florestas, a poluição produzida e outros fatores advindos das ações humanas estão incidindo sobre o planeta e interferindo nas mudanças do clima”, afirma o arcebispo.

Segundo Dom Walmor, a reflexão cidadã, portanto, “tem importância e grande influência no contexto. Envolve a todos, além de fomentar um processo educativo que proporcione amadurecimento e modificações radicais no tratamento dado à natureza e a tudo o que ela oferece para o bem de todo o mundo”.

O arcebispo recorda que a Campanha da Fraternidade “investirá na mobilização de pessoas, comunidades, Igrejas, segmentos religiosos, enfim, em toda a sociedade, para avançar na superação de tantos problemas socioambientais, formando condutas fundamentadas nos valores do Evangelho”.

“Nesse processo de educação ambiental quer também desenvolver a profecia que está no centro dessas considerações. Suscitar posturas corajosas de denúncias, apontando responsabilidades no que diz respeito aos problemas ambientais decorrentes de equivocadas escolhas e das atitudes de cidadãos, empresas e governos.”

O arcebispo afirma que “é inquestionável que muitas atividades do ser humano incidem nas mudanças que estão vitimando o planeta”.

O convite à conversão – prossegue Dom Walmor – “é oportuno e necessário, pode alcançar o mais recôndito do coração humano até inspirar mudança de conduta, particularmente em relação a posturas, tratamentos e consumo dos bens da natureza no nosso rico planeta Terra”.

“Permanece o desafio de repensar o atual modelo de desenvolvimento, em razão dos comprometimentos produzidos. E também da fomentação de modos de viver e da criação de demandas que estão configurando uma cultura na contramão da vida saudável e mais autêntica.”

“A agenda de temas pertinentes em face de mudanças significativas é ampla, inclui questões em torno da água, do tratamento de biomas, do êxodo rural, dos escândalos da miséria, da sustentabilidade como novo paradigma civilizacional”, afirma.

O desafio “é tão grande que pode levar muitos a fechar os olhos”. “É preciso abrir a mente e o coração para o forte apelo que ressoará mais potente no tempo da Quaresma, o convite de Jesus: ‘Convertei-vos’!”

sexta-feira, 4 de março de 2011

'Deixei o carnaval de Salvador e tive um encontro com Cristo'


No grupo de oração on-line desta semana, a missionária Salette Ferreira testemunha quando teve o primeiro encontro pessoal com Cristo, durante o carnaval de 1986.

“Nesse ano eu estava com dúvida se ia para um retiro espiritual ou se ia para as ruas de Salvador curtir. Não sabia se aproveitava ou se ouvia a voz do Senhor. Resolvi ir ao acampamento [de oração] e minha vida mudou”, revela a consagrada, que é natural da capital baiana, point do carnaval mundano.

A passagem bíblica que norteia o momento de intercessão está em I Coríntios 10, 23: "Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém". A missionária nos convida para dar uma chance para Jesus neste carnaval e viver um tempo diferente, não indo atrás do que o mundo prega.

Fonte : Canção Nova

Oficial vaticano: ordinariato é muito importante para o Papa


Um sacerdote da Congregação para a Doutrina da Fé afirma que o recém-constituído Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham é “muito importante” para Bento XVI.

Membros do ordinariato, estabelecido para ex-anglicanos que desejam entrar em plena comunhão com a Igreja católica, visitaram Roma recentemente e se encontraram com o pessoal da Congregação para a Doutrina da Fé, incluído o prefeito, cardeal William Levada.

O padre Hermann Geissler, chefe do departamento doutrinal do dicastério, concedeu uma entrevista a The Portal, revista independente do ordinariato.

O padre Geissler afirmou que a instituição do ordinariato reforça o caminho de aproximação com a Igreja católica e ainda “promove o diálogo sincero com a defesa cristã da vida e a promoção da paz”.

O sacerdote afirmou que “o objetivo do movimento ecumênico é uma união completa e visível com o único Cristo e com Pedro em uma única Igreja. Devemos cooperar e crescer juntos”.

Ele considera que o Papa sente-se chamado a promover a unidade na Igreja e no mundo. “É o chefe dos pastores, não pode fazer coisa diferente”.

“A unidade se constrói em dois pilares, amor e verdade”, disse.

O sacerdote informou que 50 a 60 clérigos e cerca de 1.000 leigos estão planejando se unir ao ordinariato.

Ele acrescentou que há alguns grupos interessados em seguir um modelo similar nos EUA, Canadá e Austrália. Afirmou ainda que seu dicastério está “observando os eventos cuidadosamente”, também na África.

“Não devemos ceder perante as dificuldades”, disse o padre Geissler. “Devemos ser generosos e agradecidos.”

“O tema é é a única questão de unidade e de missão. Quando Deus planta uma bela árvore, cuida dela.”

O sacerdote disse que a Congregação fará tudo que puder para ajudar o ordinariato e seus integrantes, ao lado dos bispos da Inglaterra.

“Animai-vos com as palavras de Cristo: buscai primeiro o Reino de Deus, e tudo vos será dado por acréscimo. Haverá sofrimento, mas Deus os guiará”, disse.