sábado, 12 de março de 2011

Itinerário Quaresmal


Apresentamos artigo do arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, intitulado “Itinerário quaresmal”, divulgado à imprensa nesta sexta-feira.

Na Quarta-feira de Cinzas, após o Carnaval - tempo aproveitado para repouso, viagem, folia, e também para retiros espirituais e orações -, a Igreja Católica inicia o seu itinerário quaresmal. São quarenta dias de percurso, marcados especialmente pela escuta atenta e amorosa da Palavra de Deus. Simbolicamente, recorda o caminho de Moisés, no êxodo, conduzindo o povo de Deus na conquista da terra prometida, virando a página da escravidão. É, também, referência significativa aos quarenta dias que Cristo, o Messias, esteve no deserto, tentado pelo diabo, como narra o evangelista Mateus. Esse tempo configura os passos da vitória definitiva do bem sobre o mal, da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio. O itinerário quaresmal, portanto, no seu significado educativo e litúrgico, por quarenta dias conduz ao Tríduo Pascal os que aceitam o convite para a conversão - em particular para a grande vigília na noite santa da ressurreição do Senhor Jesus. Em questão está a vida, vida de todos, de cada dia, a definitiva. Aquela que nunca passa, que só é conquistada por Cristo Ressuscitado e por aqueles que, na sua graça, experimentam essa ventura oferecida a todos.

O Papa Bento 16, na sua mensagem quaresmal, sublinha que este é um tempo litúrgico muito precioso e importante para a Igreja. É também significativo para todos aqueles que querem qualificar a própria vida. Reorientá-la para o bem e garantir um percurso saudável e pautado nos valores que são garantia de paz, justiça e amor. Os membros da comunidade eclesial são chamados, pela fé celebrada, a intensificar o seu caminho de purificação no espírito, ressalta o pontífice, para haurir com mais abundância o mistério da redenção, a vida nova em Cristo. O Papa relembra que essa vida nova é transmitida no dia do Batismo - dia de graça - quando inserido na morte e ressurreição de Cristo inicia-se “a aventura jubilosa e exultante do discípulo de Jesus”. Na oportunidade, recorda-se que o Batismo é a misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver. Assim, o apóstolo Paulo advertia os membros da comunidade cristã dos filipenses a experimentarem na própria existência os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, definindo-se a meta da vida de todos os que n’Ele creem. Essa conquista é fruto da graça, graça de Deus que leva a alcançar a estatura adulta de Cristo.

O Papa faz um convite para que se compreenda o itinerário quaresmal na sua mais profunda significação, iluminando a condição batismal de todos. A Vigília Pascal, que conclui o caminho quaresmal e abre um tempo especial de graças, inclui a celebração do Batismo, sacramento que realiza o grande mistério pelo qual o homem morre para o pecado. Torna-se participante da vida nova em Cristo Ressuscitado e recebe o mesmo Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dos mortos.

A Quaresma, como diz o Papa, é um percurso semelhante ao do catecumenato, uma escola insubstituível de fé e de vida cristã. Trata-se de algo decisivo para a existência toda. Leva a uma vivência mais autêntica e consciente da condição de batizado, que assume, pelo sustento da graça e da conversão, as consequências e os compromissos de uma vida inserida em Cristo, em quem se encontra a única razão para fazer do próprio viver partilha e oferta na construção de vida digna e justa para todos. A escuta da Palavra de Deus, assinala o Papa, é a atitude mais adequada desse itinerário, para um encontro fecundo com o Senhor. A qualidade da vida familiar, pessoal e a vida do planeta - responsabilidade cidadã de todos - depende de muitos fatores, condições e circunstâncias. O tempo da Quaresma é próprio para a conscientização do lugar primeiro dado a Deus em Cristo, que caminha e se oferece por todos.

O caminho se constrói com a força da Palavra de Deus proclamada, que ilumina cada semana desses quarenta dias. É um convite para tomar consciência da própria fragilidade humana, abrir o coração e acolher a graça que liberta do pecado e infunde, em quem aceita, a força nova em Cristo. Esse convite é para enfrentar os dominadores desse mundo no qual, adverte Bento 16, o diabo é ativo e não cansa de tentar o homem que deseja se aproximar de Deus. É hora de aceitar o convite divino para seguir e viver o itinerário quaresmal.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Bento XVI: sacerdócio é vocação “full-time”


O sacerdócio não é uma profissão que se realiza apenas durante uma parte do dia, mas uma vocação em tempo integral e perene.

Esta foi a ideia destacada pelo Papa Bento XVI ontem de manhã, durante o tradicional encontro com os sacerdotes da diocese de Roma no início da Quaresma, realizado no Vaticano.

"Padre não se é em tempo parcial, mas sempre, com toda a alma e com todo o nosso coração", disse ele, segundo a Rádio Vaticano.

"Este ser com Cristo e ser embaixadores de Cristo, este ser para os outros é uma missão que permeia nosso ser e deve penetrar na totalidade do nosso ser", acrescentou.

Fidelidade e serviço

O Pontífice deu uma profunda lectio divina, inspirada no capítulo 20 dos Atos dos Apóstolos, no qual São Paulo fala aos anciãos de Éfeso, e insistiu no significado do serviço e da fidelidade que devem motivar o sacerdote.

O serviço, disse ele, requer uma humildade que não é uma exibição de "falsa modéstia", mas amor pela vontade de Deus, que é preciso anunciar sem "criar a ideia de que o cristianismo é um pacote enorme de coisas para aprender".

O sacerdote, de fato, "não prega um cristianismo à la carte, de acordo com seus próprios gostos, pregando um Evangelho segundo suas próprias ideias favoritas, segundo suas próprias ideias teológicas".

"Ele não deixa de anunciar toda, toda a vontade de Deus, também a vontade incômoda, também os temas que pessoalmente não agradam tanto."

Conversão e vida espiritual

Na Quaresma que acaba de começar, o Papa também falou da conversão, entendida principalmente como uma mudança de mente e coração, não se centrando nas coisas do mundo, tal como se apresentam, mas na presença de Deus no mundo.

"Não percamos o zelo, a alegria de ser chamados pelo Senhor", exortou.

"Deixemos que nossa juventude espiritual se renove", acrescentou ele, pedindo para preservar "a alegria de caminhar com Cristo até o fim, de ‘chegar até o fim da corrida', sempre com o entusiasmo de ser chamados por Cristo para este grande serviço".

Igualmente, exortou a estar "atentos também à nossa vida espiritual, ao nosso ser com Cristo".

"Orar e meditar sobre a Palavra de Deus não é tempo perdido para o cuidado das almas - disse ele -, mas sim a condição para que possamos estar realmente em contato com o Senhor e, assim, falar em primeira mão do Senhor para os outros."

"Apesar das dificuldades que a Igreja enfrenta, continuou, não devemos perder a esperança."

"A verdade é mais forte que a mentira, o amor é mais forte que o ódio, Deus é mais forte do que todas as forças adversas."

"É com esta alegria, com esta certeza interior, que começamos o nosso caminho (...), nas consolações de Deus e nas perseguições do mundo."

Disponibilidade

Em sua saudação ao Papa, o cardeal Agostino Vallini, vigário geral da diocese de Roma, recordou o 60º aniversário de sacerdócio do Pontífice, que será comemorado em 19 de junho.

O purpurado sublinhou que as qualidades sacerdotais de Bento XVI mais apreciadas pelo clero são "a fidelidade, humilde e alegre, sem fissuras, ao Senhor Jesus; a disponibilidade total para servir a Igreja lá onde a Providência o chamou, até o peso formidável do supremo pontificado; o amor à Palavra de Deus e à Liturgia, e a alegria de viver o tempo segundo o ritmo do ano litúrgico; o exercício da inteligência e a paixão pela busca da verdade, para propô-la e defendê-la sem medo; a doçura no trato e a magnanimidade do coração; a serenidade da alma totalmente entregue a Cristo".

Por ocasião da audiência, o Papa também se encontrou com o sacerdote paquistanês Shahzad Niamat, em nome dos sacerdotes, religiosos e seminaristas do Paquistão presentes em Roma.

"Nós explicamos ao Papa a situação dos cristãos no Paquistão, onde dar testemunho da fé às vezes pode levar à morte - disse o padre à agência vaticana Fides. O Santo Padre mostrou-se muito preocupado, manifestou sua solidariedade, seu apoio e nos assegurou suas orações."

"Nós também agradecemos ao Papa por suas palavras e seus recentes apelos dirigidos ao ministro Shahbaz Bhatti, por Asia Bibi, pela lei sobre a blasfêmia", acrescentou, sublinhando que o Pontífice "nos mostrou sua esperança de que as coisas possam mudar e de que no Paquistão possa haver o pleno respeito pela dignidade humana e pela liberdade religiosa".

sexta-feira, 11 de março de 2011

Em seu novo livro, Bento XVI quer encontrar o “Jesus real”


"Este é o primeiro livro de teologia que me transmite uma verdadeira emoção: tirou-me lágrimas”, confiava hoje um jornalista “vaticanista” italiano a seus colegas, após ter lido o segundo volume da obra de Bento XVI sobre Jesus, “Jesus de Nazaré, Da entrada em Jerusalém até à Ressurreição” (Principia Editora, Portugal).

Que método o Papa utiliza para alcançar tal resultado? Se bem que se trata de um livro de rigorosa pesquisa, chega a conclusões como esta: “A vitória do amor será a última palavra da história do mundo” (trad. livre, N. do T.).

Encontramo-nos ante uma exegese (a interpretação da Sagrada Escritura) que comunica a esperança de “encontrar Jesus e crer n’Ele”. Aplica as indicações do Concílio Vaticano II na “Dei Verbum” – não suficientemente exploradas –, e cita recentes publicações alemãs.

O Papa explica seu método no prólogo. Cita autores (dos quais faz rigorosamente referência em uma bibliografia abundante, ainda que não asfixiante”: Martin Hengel, Peter Stuhlmacher e Franz Mußner, os quais lhe “confirmaram explicitamente no projeto de avançar” neste trabalho e “de acabar a obra iniciada”: “um precioso alento”.

Evoca também o “Jesus” publicado em 2008 pelo que ele chama de “irmão ecumênico”, o teólogo protestante Joachim Ringleben. Sublinha que entre os dois livros há uma “profunda unidade na compreensão essencial da pessoa de Jesus e de sua mensagem”.

E acrescenta: “Se bem que com enfoques diferentes, é a mesma fé que atua, produzindo um encontro com o mesmo Senhor Jesus”. O Papa espera que ambas publicações possam constituir “um testemunho ecumênico que ao seu modo possa servir à missão fundamental comum dos cristãos”.

Cita também o livro de crítica bíblica de Marius Reiser, de 2007, do qual recolhe “indicações relevantes para as novas vias da exegese, sem abandonar a importância que sempre tem o método histórico-crítico”.

Harmonizar dois métodos de interpretação

O Papa, de fato, sublinha os frutos do método histórico-crítico, o estudo das Escrituras à luz das circunstâncias históricas. “Uma coisa me parece óbvia: em duzentos anos de trabalho exegético, a interpretação histórico-crítica já deu o que tinha de dar de essencial”.

Mas para que a exegese possa se renovar, o Papa considera que é necessário que dê “um passo metodologicamente novo, voltando a se reconhecer como disciplina teológica, sem renunciar a seu caráter histórico”.

Ele propõe passar de uma “hermenêutica positivista” a uma “hermenêutica da fé”, desenvolvida de maneira concreta”, de modo “conforme ao texto”, unindo-se a uma “hermenêutica histórica, consciente de seus próprios limites para formar uma totalidade metodológica”.

“Esta articulação entre dois gêneros de hermenêutica muito diferentes entre si é uma tarefa que há de se realizar sempre de novo”, afirma.

Um passo na direção adequada

Ele acrescenta que a harmonia entre “hermenêutica da fé” e “hermenêutica histórica” não só é possível, mas sobretudo fecunda: “por meio dela as grande intuições da exegese patrística poderão voltar a dar fruto em um contexto novo”, como consegue fazer precisamente Marius Reiser.

Modestamente, reconhece: "Não pretendo afirmar que em meu livro esteja já totalmente acabada esta integração das duas hermenêuticas. Mas espero ter dado um passo em tal direção. No fundo, trata-se de retomar finalmente os princípios metodológicos para a exegese formulados pelo Concílio Vaticano II (cf. “Dei Verbum” 12), uma tarefa em que, infelizmente, pouco ou nada se fez até agora”.

No mesmo prólogo, o Papa recorda que não quis escrever uma “Vida de Jesus”. O que busca, recorda citando o primeiro volume desta obra, é apresentar “a figura e a mensagem de Jesus”.

“Poder-se-ia dizer, exagerando um pouco, que eu queria encontrar o Jesus real”. O “Jesus histórico” que alguns teólogos e exegetas apresentam “é demasiado insignificante”, “está excessivamente ambientado no passado para dar boas possibilidades de uma relação com Ele”.

Com a hermenêutica da fé e a hermenêutica histórica, o Papa tentou “desenvolver um olhar para o Jesus dos Evangelhos, um ouvi-lo que pudesse se converter em um encontro; mas também na escuta em comunhão com os discípulos de Jesus de todos os tempos, chegar à certeza da figura realmente histórica de Jesus”.

O bispo de Roma reconhece que este objetivo era mais difícil no segundo volume, porque toca os momentos culminantes da morte e ressurreição.

“Tentei me manter à margem das possíveis controvérsias sobre muitos elementos particulares e refletir unicamente sobre as palavras e as ações essenciais de Jesus. E isso guiado pela hermenêutica da fé, mas tendo em conta ao mesmo tempo, com responsabilidade, a razão histórica, necessariamente incluída nesta mesma fé”.

“Ainda que sempre ficarão naturalmente detalhes a discutir, espero no entanto que tenha podido me aproximar da figura de Nosso Senhor de um modo que possa ser útil a todos os leitores que desejam se encontrar com Jesus e crer n’Ele”, conclui.

Talvez seja este encontro que tenha suscitado a “emoção profunda” do jornalista italiano.

Irlanda convida mundo inteiro para Congresso Eucarístico de 2012

A Igreja na Irlanda está convidando as pessoas do mundo inteiro para o Congresso Eucarístico Internacional de 2012, para terem a oportunidade de entrar em comunhão com Cristo e com os demais.

Na segunda-feira passada, a fase preparatória para o congresso - que será realizado de 10 a 17 de junho de 2012 - foi inaugurada pelo cardeal Sean Brady, arcebispo de Armagh, e pelo arcebispo Diarmuid Martin, de Dublin.

O cardeal Brady afirmou que "o propósito de todo Congresso Eucarístico é aprofundar na nossa compreensão e devoção à Eucaristia, que é o centro da nossa fé católica".

"O evento atrairá milhares de peregrinos e permitirá aos católicos, nacionais e estrangeiros, conhecer e participar diariamente na Santa Missa, discutir questões de fé, participar de workshops, refletir sobre testemunhos e tomar parte na adoração da Eucaristia."

Comunhão

O evento se focará no tema "Eucaristia: comunhão com Cristo e com o próximo".

Os organizadores do Congresso estão trabalhando com a indústria do turismo, para facilitar a participação de pessoas de todo o mundo. Da mesma forma, o site do Congresso fornece todas as informações, em sete idiomas.

Como preparação para o evento, os organizadores estão lançando, durante este tempo, um apelo a mais de 3.000 voluntários para ajudar no congresso, em tarefas de acolhimento, administração, serviços de tradução e de assistência.

O cardeal Brady afirmou que espera que "o Congresso de 2012 possa ajudar a renovar a Igreja Católica na Irlanda, refletindo sobre a centralidade da Eucaristia em nossa comunidade, cada vez mais diversificada, e que dê um novo impulso à vida de fé".

Evangelização

O arcebispo Martin, em um discurso na segunda-feira, reiterou a importância deste evento no processo de renovação da Igreja na Irlanda.

"Um Congresso Eucarístico é um meio prático de renovação da Igreja - disse o prelado. A esperança é de que este Congresso Eucarístico, por meio da renovação na oração e na vida litúrgica, purifique, limpe e renove a Igreja, para que a sua verdadeira missão no mundo seja mais evidente."

O Pe. Kevin Doran, secretário-geral do Congresso, disse: "Pedimos que as pessoas pensem nele como uma viagem (...). Estamos pedindo às pessoas que façam uma viagem, mas uma viagem interior, de renovação".

O sacerdote afirmou que "agora é a hora, para todos os crentes em Jesus, de testemunhar a nossa fé comum nesta sociedade que está necessitada dos valores do Evangelho, hoje mais do que nunca".

Os padroeiros para o Congresso de 2012 são: São Columbano, Santa Maria MacKilop e a Beata Margarida Ball.

Ecologia é preocupação antiga da CNBB, afirma bispo

O secretário geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Dimas Lara Barbosa, afirmou nessa quarta-feira que o tema da ecologia é uma preocupação antiga do episcopado.

Dom Dimas falou em uma coletiva de imprensa, em Brasília, de apresentação da Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil para esta Quaresma, que discute o tema “Fraternidade e a Vida no Planeta”.

Segundo informa a assessoria de imprensa do organismo episcopal, o secretário geral da CNBB e o secretário executivo da Campanha da Fraternidade, padre Luiz Carlos Dias, apresentaram aos jornalistas os objetivos da Campanha, destacando seus principais pontos.

Dom Dimas fez memória do histórico da Campanha da Fraternidade. “A Campanha mais antiga em torno do meio ambiente aconteceu em 1979, com o lema ‘Preserve o que é de todos’”.

“Há 32 anos já tínhamos essa preocupação com temas ecológicos. Muito tempo depois, em 2002, veio a Campanha que refletiu a Amazônia; pouco tempo depois, a Campanha de 2004 refletiu a questão da água, e, a Campanha de 2007, discutiu o tema ‘Fraternidade e os Povos Indígenas’ e a questão da terra”, lembrou Dom Dimas.

O secretário da CNBB disse que a Campanha deste ano apresenta uma reflexão bastante ampla, refletida em dois grandes temas preocupantes: aquecimento global e mudanças climáticas. “A partir desses pontos, a Igreja no Brasil vem mostrar que estamos preocupados em discutir temas relevantes para a sociedade viver melhor”.

Dom Dimas enumerou algumas ações concretas que a Campanha sugere nos níveis pessoal, comunitário e de governo para a preservação do meio ambiente.

“O cidadão pode colaborar com pequenas ações e cultivar hábitos saudáveis como a utilização de fontes renováveis de energia, como é o caso da energia solar, coleta seletiva de lixo, a própria questão do respeito com relação à água”, afirmou.

O secretário disse ainda acreditar na mobilização coletiva para a mudança de comportamento e educação das pessoas para um modo de vida que favoreça a humanidade.

Já o secretário executivo da Campanha da Fraternidade, padre Luiz Carlos Dias, afirmou que um dos passos importantes da Campanha é mobilizar as pessoas em torno de políticas públicas por mudanças que favoreçam o desenvolvimento da temática proposta.

“Queremos mobilizar a sociedade para agir de forma positiva nos diversos níveis da sociedade civil e dos poderes constituídos para a aplicação de políticas que favoreçam um planeta melhor para todos viverem”, disse.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Paróquia São Jorge Inicia o Tempo Quaresmal

Assim Como todo o mundo hotem (09) A paróquia são jorge, iniciou o tempo da Quaresma, Tempo de Conversão e Reflexão, A Missa das cinzas Iniciou por volta das 18:00 H, e contou com a presença de varios fiéis, A celebração tb marcou a abertura da campanha da freternidade 2011.

Veja Algumas Fotos Da Santa Missa:

Verdadeiro jejum é nutrir-se da Palavra de Deus, diz Papa


O Papa Bento XVI explicou hoje que o jejum não é um fim em si mesmo, mas o "sinal externo" de uma "realidade interior", que é saber "viver do Evangelho".

O Pontífice quis dedicar sua catequese de hoje, Quarta-Feira de Cinzas, a refletir sobre a Quaresma e sobre as práticas de piedade ligadas a ela: o jejum, a oração e a esmola.

O jejum "significa abster-se de comida, mas inclui outras formas de privação que visam a uma vida mais sóbria".

No entanto, "tudo isso não é ainda a realidade plena do jejum: é o sinal exterior de uma realidade interior, do nosso compromisso, com a ajuda de Deus, de abster-nos do mal e de viver o Evangelho". Não jejua de verdade quem não sabe se nutrir da Palavra de Deus", acrescentou.

"O jejum, na tradição cristã, está intimamente ligado à esmola", afirmou o Papa.

Neste sentido, recordou, com Santo Agostinho, que, tanto o jejum como a esmola são "as duas asas da oração", que lhe permitem ganhar maior impulso e chegar a Deus.

"A Igreja sabe que, pela nossa fraqueza, é muito fatigante fazer silêncio para colocar-se diante de Deus e tomar consciência da nossa condição de criaturas que dependem d'Ele e de pecadores que precisam do seu amor", sublinhou o Santo Padre.

Por isso, "na Quaresma, ela nos convida a uma oração mais fiel e intensa, e a uma meditação prolongada sobre a Palavra de Deus".

Mas, antes de tudo, em linha com a sua Mensagem para a Quaresma deste ano, o Pontífice convidou todos os fiéis a "reviver" o próprio Batismo, pois a Quaresma, especialmente neste ciclo litúrgico A, foi, na tradição da Igreja, o itinerário que os catecúmenos percorriam antes de receber o sacramento na noite da Páscoa.

O Papa convidou todos a viver este "itinerário batismal", para "reavivar em nós este dom e fazê-lo de maneira que nossas vidas recuperem as exigências e os compromissos deste Sacramento, que está na base da nossa vida cristã".

"A Igreja sempre associou a Vigília Pascal à celebração do Batismo, passo a passo: nele, realiza-se esse grande mistério pelo qual o homem, morto para o pecado, torna-se partícipe da vida nova em Cristo ressuscitado e recebe o Espírito de Deus."

As leituras dos próximos domingos, explicou o Pontífice, "são tomadas precisamente da tradição antiga, que acompanha o catecúmeno na descoberta do Batismo: são o grande anúncio do que Deus faz neste sacramento, uma magnífica catequese batismal dirigida a cada um de nós".

O Papa foi detalhando, um por um, o significado dos Evangelhos de cada domingo da Quaresma, explicando também quais eram os passos (escrutínios, adesão ao Credo, iniciação na oração cristã) que o catecúmeno seguia durante este itinerário.

Exortou os fiéis a estarem "atentos para acolher o convite de Cristo a segui-lo de maneira mais determinada e coerente, renovando a graça e os compromissos do nosso Batismo, para abandonar o homem velho que está em nós e revestir-nos de Cristo".

A Quaresma, acrescentou, "é um caminho, é acompanhar Jesus que sobe a Jerusalém, lugar do cumprimento do seu mistério de paixão, morte e ressurreição".

Assim, explicou, "nos recorda que a vida cristã é um ‘caminho' a ser percorrido, que consiste não tanto em uma lei a ser observada, mas na própria pessoa de Cristo, a quem vamos encontrar, acolher, seguir".

"É sobretudo na liturgia, na participação dos santos mistérios, que somos levados a percorrer este caminho com o Senhor; é um colocar-nos na escola de Jesus, percorrer os acontecimentos que nos trouxeram a salvação."

Mas esta vivência não é "uma simples comemoração, uma lembrança de fatos passados", senão que, "nas ações litúrgicas, Cristo se faz presente através da obra do Espírito Santo, e esses acontecimentos salvíficos se tornam atuais".

Participar da Liturgia, concluiu, significa "submergir a própria vida no mistério de Cristo, na sua presença permanente, percorrer um caminho pelo qual entramos em sua morte e ressurreição para ter a vida".

Que pastoral juvenil deve ser apresentada no Sudeste europeu?

"Enraizados e edificados n'Ele... firmes na fé. A pastoral juvenil no Sudeste da Europa" foi o lema do 11º Encontro dos presidentes das conferências episcopais do Sudeste da Europa, realizado em Nicósia (Chipre), de 3 a 6 de março, a convite de Dom Youssef Soueif, arcebispo de Chipre dos Maronitas.

As conferências episcopais representadas eram sete: Albânia, Bósnia-Herzegóvina, Bulgária, Chipre, Grécia, Romênia e a Conferência Episcopal Internacional Santos Cirilo e Metódio, juntamente com as dioceses de Quichinau (Moldávia).

Os participantes reuniram-se com o presidente da República de Chipre, Dimitris Christofias. O encontro, lembra um comunicado divulgado após a reunião, foi também "uma ocasião para recordar e confiar à misericórdia do Senhor o bispo Luigi Padovese, presidente da Conferência Episcopal da Turquia, que costumava frequentar essas reuniões e que foi barbaramente assassinado em junho do ano passado".

Convite aos jovens

A parte temática foi desenvolvida a partir de intervenções Eric Jacquinet, chefe da Seção Juvenil do Conselho Pontifício para os Leigos, e Francesco Pierpaoli, diretor do Centro João Paulo II de Loreto, que seguiram os relatórios das conferências episcopais.

No final do encontro, os participantes puderam dirigir aos jovens católicos do Sudeste da Europa um "apelo urgente", recorda a nota final.

"Queridos jovens católicos, ainda que vocês sejam uma minoria em seu país, não se desanimem! - escreveram os participantes. Vocês não estão sozinhos em sua crença e esperança em Cristo. Uma imensa maré de jovens espera em Cristo, ama Cristo e confia em Cristo."

Lembrando que os jovens vivem "em uma sociedade multicultural, multirreligiosa e multiétnica", os participantes convidaram a "dar testemunho do convite de Cristo a espalhar o amor a todos os homens, independentemente de cada religião e cada ideologia".

"Vocês são chamados a perdoar os erros que seus pais cometeram; a superar, com a mansidão de Cristo, as dramáticas situações que marcaram o passado. São chamados a cumprir o que a geração que os precedeu talvez não tenha sido capaz de realizar: o diálogo fraterno com seus coetâneos de diferentes religiões ou denominações cristãs, a colaboração pela justiça e pela paz."

"Seu testemunho de cristãos se tornará seu compromisso missionário, em uma sociedade em que a violência e o ódio parecem caracterizar a cultura do nosso tempo."

Quanto ao tema inspirador da JMJ de Madri, "Enraizados e edificados n'Ele... firmes na fé" (cf. Cl 2,7), "significa basear toda a nossa vida na pessoa de Cristo", afirmam os participantes do encontro.

"É a totalidade da vida, e não a parcialidade de nossas experiências; é o próprio alicerce sobre o qual se baseia toda a vida do homem; é uma visão, uma escolha, uma atitude, um projeto de vida, uma maneira de viver."

O batizado, na verdade, "é convidado ver em seu batismo um sinal de pertença à pessoa de Cristo".
"Aqui - concluem - se vive o encontro com Cristo-jovem, que convida os jovens a segui-lo e a tornar-se seus discípulos e profetas do seu Evangelho no mundo de hoje."

quarta-feira, 9 de março de 2011

Papa responderá na TV perguntas sobre Jesus


No próximo dia 22 de abril, Sexta-Feira Santa, o Papa responderá a três perguntas sobre Jesus no programa televisivo da Rai Uno “A Sua Immagine”.

As perguntas poderão ser enviadas para a página na internet do programa e depois serão selecionadas. A entrevista com o Papa será gravada poucos dias antes da transmissão.

Em uma entrevista concedida à Rádio Vaticano, o apresentador de “A Sua Immagine”, Rosario Carello, explicou que a iniciativa nasceu da avaliação de que “a Sexta-Feira Santa é um dia particular e, até poucos anos atrás, a televisão também se dava conta desta diferença, com uma programação que induzia ao menos a reflexão”.

“Perdeu-se este sentimento”, comentou Carello, indicando que “hoje a Sexta-Feira Santa televisiva é um dia como os demais para todos os canais: inclusive há disputas e fofocas”.

Por este motivo, “A sua immagine” quer “recuperar este histórico programa que era 'Domande su Gesù' (Perguntas sobre Jesus, N. do T.), para voltar a colocar no centro da tarde deste dia, na mesma hora da morte de Jesus, a história de Jesus”.

“A ideia era: são muitas as perguntas sobre Jesus que chegam dos telespectadores, que já encontram no estúdio interlocutores para responder, mas seria extraordinário se fosse o próprio Papa, que é tão atento à escuta e ao diálogo, quem respondesse. Que bonito seria se o público pudesse fazer perguntas e fosse o Papa quem respondesse”, afirmou Carello.

“Parecia uma loucura pensar nisso. Mas víamos no estilo do Papa algo que nos induzia ao menos a propor esta ideia: nós a propusemos e o Papa aceitou.”

Bento XVI – prosseguiu – se dá conta de que, “se conhecemos pouco Cristo, o amamos pouco e pouco podemos crer n’Ele”.

A ideia de perguntar ao Papa está tendo uma grande repercussão. As pessoas já “inundam” a redação de perguntas, contou Carello.

“Vamos lê-las e tentaremos compreender se prevalecem alguns questionamentos sobre outros. As que pareçam mais fortes, as mais presentes, mas também as que sejam capazes de abrir um debate mais forte, nós levaremos para o Santo Padre.”

O apresentador de “A Sua Immagine” afirmou que um dos aspectos de Bento XVI que mais o impressionam é a clareza.

O Papa “consegue expressar conceitos que são complicados de uma forma simples, mas ao mesmo tempo satisfatória, que o cérebro entende e o coração sente”, disse.

“É um dom grandioso deste Papa que, creio, pouco a pouco todo o mundo começa a descobrir”, afirmou.

“Dado que a televisão fala a todos, esta ocasião será uma demonstração extraordinária desta capacidade, deste dom que o Papa tem e que coloca constantemente à disposição da Igreja e do mundo.”

Quaresma: mensagem do bispo de Leiria-Fátima

Apresentamos a mensagem que o bispo de Leiria-Fátima, Dom António Marto, divulgou para a Quaresma de 2011.

* * *

Quaresma com as cores da caridade

Eis-nos de novo na Quaresma que nos prepara e conduz à celebração da Páscoa da Ressurreição. É um tempo litúrgico muito precioso e importante para cuidar da qualidade da nossa vida espiritual; tempo especial de recolhimento e de oração para discernir a presença de Deus na nossa vida, para aferir a verdade e a autenticidade das nossas opções, dos nossos comportamentos, do nosso estilo de vida à luz da Palavra de Deus e dos desafios do nosso tempo.

Hoje corremos o risco de nos deixar seduzir pelo estilo consumista, na busca de um bem estar meramente material, que um autor descreve de modo acutilante: “O consumismo converteu-se na ‘nova religião’ do homem moderno. A meta absoluta consiste em possuir e gozar: eis a sua doutrina. Para isso é necessário trabalhar e ganhar dinheiro: eis a sua ética e os seus valores. As grandes superfícies são as novas catedrais: eis os seus lugares de culto. Os praticantes acodem à sua compra semanal: eis o preceito de fim de semana. Vivem com devoção intensa as grandes festas (Natal, Ano Novo, férias, casamentos, dia do pai, da mãe, dos namorados...)... Temos de tudo e carecemos de paz e de alegria interior” ( J. A. Pagola).

Neste horizonte cultural, o Santo Padre na sua mensagem de Quaresma convida-nos a reavivar – a viver de novo ou mais intensamente – a graça do nosso baptismo, a vida nova em Cristo, nestes termos: “deixar-se transformar pela acção do Espírito Santo, como São Paulo, no caminho de Damasco; orientar com decisão a nossa existência segundo a vontade de Deus; libertar-nos do nosso egoísmo, superando o instinto de domínio sobre os outros e abrindo-nos à caridade de Cristo”.

Quaresma com as cores da caridade

O percurso pastoral da nossa Diocese neste ano é orientado à vivência e ao testemunho da caridade. “A caridade transformará o mundo, porque Deus é Amor” (Bento XVI). Queremos pois, que o percurso quaresmal ajude a embelezar a nossa existência pessoal e a vida das nossas comunidades com as cores da caridade. Estas cores brilham para nós no rosto de Cristo, nos sentimentos do seu coração terno, compassivo e misericordioso; e hão-de brilhar em nós, no nosso ser e no nosso agir, na medida em que nos revestirmos dos sentimentos de Cristo.

Através das práticas tradicionais da oração, do jejum e da esmola, a Quaresma educa-nos a viver a beleza e a riqueza da caridade como relação fraterna, doação, partilha e serviço de amor concreto a quem necessita de ajuda.

Momento especial de oração comunitária será certamente a peregrinação diocesana ao Santuário de Fátima, no dia 10 de Abril, sob o lema: “Com Maria e os Pastorinhos, aprendemos o serviço humilde da caridade”. Apelo à participação de todos os fiéis, incluindo os sacerdotes, os religiosos e as religiosas.

Avivar a chama da caridade: o Retiro popular

A oração é um ir à fonte da caridade onde recebemos a luz, a coragem e a força de amar. Como nos anos anteriores, oferecemos o Retiro do Povo de Deus com o título “Avivar a chama da caridade”, sob a forma de leitura orante da Palavra de Deus. É um meio maravilhoso e importantíssimo para ler e meditar os Evangelhos, compreender o grande amor que Jesus nos mostra e comunica na sua vida, paixão e morte. A finalidade deste retiro é ajudar a formar em nós “um coração que vê onde há necessidade de amor e actua em consequência” (Bento XVI).

A caridade em nós dilata-se na medida em que compreendemos como Jesus amou e tratou os pequenos, os frágeis, os pobres, os sofredores, os marginalizados, os inimigos e na medida em que nos deixamos contagiar pelo testemunho dos que procuraram dar corpo à caridade nas mais variadas situações: “os santos da caridade”.

Doação e partilha: Fundo Social Solidário e Voluntariado

O jejum e a esmola educam-nos a superar o egoísmo para viver na lógica da doação, do amor e da partilha com o próximo em necessidade. Nesta lógica, a renúncia quaresmal dos cristãos da nossa Diocese será destinada ao Fundo Social Solidário instituído pela Conferência Episcopal Portuguesa. Este Fundo é de carácter emergente em ordem a responder às situações de carência mais graves neste momento de crise socioeconómica. Implica todos os cristãos e é responsabilidade de todas as comunidades.

Nesta mesma lógica apelo a que o tempo da Quaresma seja também de sensibilização e proposta de percursos de voluntariado, adequados à idade e à condição das pessoas, para “oferecer à comunidade um tempo de gratuidade ao serviço dos outros”, particularmente dos mais abandonados e esquecidos.

Neste Ano Europeu do Voluntariado, faço votos de que o ano de 2011 “constitua uma oportunidade para os cidadãos, nomeadamente os cristãos, com especial referência aos mais novos, a serem expressão do amor gratuito de Deus pelos últimos” (Nota Pastoral da Conferencia Episcopal).

Aproveito também esta ocasião para incentivar os jovens das nossas comunidades a participar nas próximas Jornadas Mundiais da Juventude, no mês de Agosto, em Madrid, que contribuirão para abrirem o seu coração às dimensões universais do amor.

Confiemos à Virgem Mãe o caminho da nossa conversão quaresmal: que Ela nos ajude a abrir o coração ao Senhor e a seguir as Suas inspirações e os Seus apelos no serviço humilde da caridade.