domingo, 10 de julho de 2011

Liturgia da Palavra

Missa do 15ª Domingo do Tempo Comum

PRIMEIRA LEITURA

Leitura do Livro do profeta Isaías:

Isto diz o Senhor: 10“Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, 11assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
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SALMO RESPONSORIAL

— A semente caiu em terra boa e deu fruto.


— Visitais a nossa terra com as chuvas,/ e transborda de fartura./ Rios de Deus que vêm do céu derramam águas,/ e preparais o nosso trigo.

— É assim que preparais a nossa terra:/ vós a regais e aplainais,/ os seus sulcos com a chuva amoleceis/ e abençoais as sementeiras.

— O ano todo coroais com vossos dons,/ os vossos passos são fecundos;/ transborda a fartura onde passais,/ brotam pastos no deserto.

— As colinas se enfeitam de alegria,/ e os campos, de rebanhos;/ nossos vales se revestem de trigais:/ tudo canta de alegria!
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SEGUNDA LEITURA

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

Irmãos: 18Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós.
19De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus. 20Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou; 21também ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus.
22Com efeito, sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. 23E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus
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SANTO EVANGELHO

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

1Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia.
2Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso, Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia.
3E disse-lhes muitas coisas em parábolas: “O semeador saiu para semear.
4Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram.
5Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. 6Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.
7Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas.
8Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. 9Quem tem ouvidos, ouça!”
10Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: “Por que falas ao povo em parábolas?”
11Jesus respondeu: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. 12Pois à pessoa que tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas à pessoa que não tem será tirado até o pouco que tem.
13É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não vêem, e ouvindo, eles não escutam, nem compreendem. 14Desse modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. 15Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos, nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração, de modo que se convertam e eu os cure’.
16Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. 17Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram.
18Ouvi, portanto, a parábola do semeador:
19Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
20A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; 21mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento; quando chega o sofrimento ou a perseguição, por causa da palavra, ele desiste logo.
22A semente que caiu no meio dos espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto.
23A semente que caiu em terra boa é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

sábado, 9 de julho de 2011

Papa envia delegação oficial ao Sudão do Sul

Por ocasião da proclamação da independência da nova República do Sudão do Sul neste sábado, 9 de julho, o Papa Bento XVI enviou uma delegação oficial da Juba, que será a capital do novo Estado.

A delegação vaticana, explica o porta-voz vaticano, Pe. Federico Lombardi SJ, em uma declaração divulgada hoje pela Sala de Imprensa da Santa Sé, é presidida pelo cardeal John Njue, arcebispo de Nairóbi e presidente da Conferência Episcopal do Quênia, e integrada pelo núncio apostólico no Sudão, o arcebispo Leo Boccardi, e o secretário da nunciatura apostólica no Quênia, Dom Javier Herrera Corona.

O Pontífice quis enviar a delegação “para transmitir às autoridades do novo Estado e a todos os seus cidadãos, muitos dos quais são católicos, o desejo de paz e de prosperidade”, refere a nota do porta-voz vaticano.

Como explicou ontem Dom Dominique Mamberti, secretário para as Relações com os Estados, ao receber uma delegação parlamentar do Sudão, encabeçada pelo presidente da Assembleia Nacional sudanesa, Ahmed Ibrahim Elthair, “a paz, a reconciliação e o respeito pelos direitos de todos, em particular a liberdade religiosa, representam os pilares fundamentais sobre os quais construir a nova situação sociopolítica da região e as condições para um olhar dirigido a um futuro de esperança”, acrescenta o texto.

“A Santa Sé, que mantém relações diplomáticas estáveis com as autoridades de Cartum desde 1972 e examinará com a devida consideração uma eventual solicitação por parte do governo do Sudão do Sul, convida a comunidade internacional a apoiar o Sudão e o novo Estado independente para que, em um diálogo franco, pacífico e construtivo, sejam encontradas as soluções justas e equitativas para as questões pendentes, e deseja àquelas populações um caminho de paz, liberdade e desenvolvimento”, conclui a declaração.

A independência do Sudão do Sul, cuja população é, em sua maioria, cristã e animista, foi aprovada pelo referendo popular realizado no último dia 9 de janeiro, que decretou, com 98,83% dos votos, a secessão do Norte do país, de predominância islâmica.

África: necessidade de mais universidades católicas

Segundo os bispos do Leste da África, o continente precisa de mais universidades católicas. Outras vozes advertem contra o crescimento sem uma direção de qualidade.

Estes são os pontos de vista conflitivos apresentados pela Associação de Membros das Conferências Episcopais do Leste da África (AMECEA), em sua 17ª Assembleia Plenária, realizada em uma das poucas universidades católicas da região, segundo informou no dia 1º de julho o Serviço Católico de Informação da África.

A associação compreende 8 conferências episcopais:Eritreia, Etiópia, Quênia, Malawi, Sudão, Tanzânia, Uganda e Zâmbia, com dois membros afiliados: Seychelles e Somália.

O Pe. Charles Kitima, da Universidade Católica de Santo Agostinho, da Tanzânia, desafiou os bispos e cardeais a aumentarem o número de instituições de ensino superior dirigidas pela Igreja.

A associação de conferências episcopais, de fato, estabeleceu-se em 1961, com o objetivo de expandir-se na área da educação universitária. Hoje, 50 anos depois da fundação da AMECEA, a região conta com 7 universidades católicas nacionais.

Mas, segundo observou o Pe. Kitima, “na América, só os jesuítas têm 28 universidades; na Tanzânia, estamos planejando ter umas 17 em 2010”.

Regulamento

O Pe. John Maviiri, vice-presidente da Universidade Católica do Leste da África, foi mais cauteloso. Fez um convite a ter uma estrutura adequada, que garanta a qualidade, recomendando que a Igreja estabeleça um Conselho de Educação Superior que regule as universidades católicas da região.

A proliferação de universidades, segundo ele, já está causando problemas de qualidade no ensino superior da região. “Grande parte [da educação atual] se resume a passar nas provas; as pessoas vão às universidades para conseguir um emprego”, lamentou o Pe. Maviiri.

Em todo caso, os partidários de ambas as partes do debate reconheceram o valor das universidades como fórum a partir do qual se pode promover a reconciliação, a justiça e a paz, além de lutar contra as divisões étnicas.

“Na nossa evangelização, a educação superior é nossa prioridade número um – disse o cardeal Medardo Mazombwe, bispo retirado de Lusaka (Zâmbia) – e elemento chave na fundação da Universidade Católica do Leste da África de Nairóbi. Temos de capacitar as pessoas.”

Inscrições para o Mutirão de comunicação

Foram prorrogadas até o dia 10 de julho, as inscrições para o 7º Mutirão Brasileiro de Comunicação, evento que acontece de 17 a 22 de julho na PUC do Rio de Janeiro.

Durante o evento, os participantes contarão com uma vasta programação acadêmica, litúrgica e cultural.

"Comunicação e vida: diversidade e mobilidades" é o tema do 7º Mutirão de Comunicação.

As manhãs do Muticom serão dedicadas aos painéis temáticos, nos quais vão ser discutidos os caminhos e desafios da comunicação tanto na Igreja, quanto no mundo.

Nesses painéis, está confirmada a presença de Dom Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício de Comunicação Social, do cineasta Cacá Diegues, do Diretor da Central Globo de Comunicação Luiz Erlanger, do jornalista e apresentador da Globo News André Trigueiro, entre outros convidados.

À tarde, os inscritos poderão participar das oficinas técnicas, gerenciais ou pastorais, ministradas por professores da PUC-Rio e de instituições de todo o Brasil.

As atividades do Muticom incluem ainda a Oração da Manhã, Angelus e Missa com Vésperas, além da Adoração ao Santíssimo Sacramento ao longo de todos os dias. A programação litúrgica será realizada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no próprio Campus da PUC-Rio.

Durante todo o evento, os participantes poderão visitar a Feira da Comunicação, com estandes de diferentes instituições. Na feira, no anfiteatro e em outros espaços do campus, diferentes atividades culturais acontecerão ao longo dos dias, com apresentações de artistas católicos e de MPB. O destaque desta edição do Muticom é a participação do cantor Jorge Vercillo e da Bateria da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis.

Outro ponto alto do Muticom será a entrega dos prêmios da CNBB, transmitida ao vivo pela Rede Vida de Televisão. O evento terá a participação do Padre Fábio de Melo, que irá entregar o prêmio Clara de Assis de Televisão e deve apresentar uma de suas músicas.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Papa visita exposição dedicada a Karol Wojtyla

Bento XVI visitou nesta quarta-feira a exposição dedicada a João Paulo II, organizada na ala Carlos Magno, no Vaticano, por ocasião da beatificação do Papa polonês.

A mostra percorre, através de imagens, a vida e o pontificado de Karol Wojtyla, da infância até o processo canônico que o levou a ser inscrito do livro dos bem-aventurados.

A organização foi levada a cabo por Bárbara Jatta, conservadora das gravuras da Biblioteca Apostólica Vaticana, e por Roberto Pulitani, da Direção de Serviços Técnicos da Governação.

A exposição – como recorda o L'Osservatore Romano – permite ver o caiaque que, nos anos 60, Karol Wojtyla, já auxiliar de Cracóvia, usava para praticar a canoagem, as botas que usava para praticar esqui, uma pedra das pedreiras de Zakrzówek, uma identificação de trabalhador da Solvay, onde o jovem Wojtyla trabalhou durante a 2ª Guerra Mundial, além da reprodução do manifesto de uma velada literária da qual participou.

Está também a petição de admissão para a ordenação diaconal, com data de 13 de outubro de 1946, e a petição para usar bicicleta, obtida em junho de 1956; o escapulário de Nossa Senhora do Carmo, que carregava sempre consigo, o terço de âmbar, a batina sacerdotal, o anel episcopal e algumas de suas obras literárias traduzidas a várias línguas.

Recebido pelo cardeal Giovanni Lajolo, presidente da Governação, Bento XVI visitou também a seção na qual se mostram as imagens do atentado de 13 de maio de 1981 e as seções dedicadas aos Jubileus e Jornadas Mundiais da Juventude, onde pôde ver o original da cruz de madeira confiada por João Paulo II aos jovens, na Páscoa de 1984.

A exposição, a cargo da Governação e da Embaixada Polonesa na Santa Sé, foi inaugurada no último dia 28 de abril e permanecerá aberta até 24 de julho. A entrada é gratuita.

Liturgia da Palavra: O semeador saiu para semear

Apresentamos o comentário à Liturgia da Palavra do 15º domingo do Tempo Comum – Is 55, 10 – 11; Rm 8, 18 – 23; Mt 13, 1 -23 –, redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.

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DOMINGO XV TEMPO COMUM

O semeador saiu para semear


Leituras: Is 55, 10 – 11; Rm 8, 18 – 23; Mt 13, 1-23

“Jesus disse-lhes muitas coisas em parábolas: O semeador saiu para semear...” (Mt 13, 3).

A Liturgia da Palavra dos próximos três domingos do Tempo Comum (15º, 16º e 17º) nos coloca na escuta do próprio Jesus, enquanto faz ressoar também para nós o anúncio da Boa Nova, através de um conjunto de sete parábolas. Na sucessão dessas parábolas, distribuídas ao longo do capítulo 13 do seu evangelho, Mateus nos oferece o âmago da pregação de Jesus sobre o reino de Deus, que ele inaugura com seus gestos e suas palavras.

Ao nos propor estas parábolas do reino de Deus na Liturgia do Tempo Comum, a Igreja nos convida a tomar consciência que nós também estamos vivendo o tempo da nossa vida, como tempo de graça (kairós), segundo a expressão do Novo Testamento, para um encontro vital com Jesus e sua Palavra, com seu apelo para nos abrirmos à graça e às exigências sempre novas da conversão ao Senhor.

“Arrependei-vos, mudai a maneira de viver, porque está próximo o reino dos Céus” (Mt 4,17), proclama Jesus desde o início da sua pregação. Na linguagem bíblica do AT herdada por Mateus, o termo “Céus” é sinônimo de “Deus”, cujo nome não pode ser pronunciado por respeito à sua transcendência e santidade.

Lucas, para salientar que este processo de renovação promovido por Deus é uma realidade já atuante na pessoa de Jesus, e que chama cada um de nós a um compromisso pessoal, traz a resposta mais pontual de Jesus aos fariseus, sobre o tempo da chegada do reino de Deus: “O reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17,21), ou, segundo outra tradução: “...está dentro de vós”.

Considerando que a Liturgia da Palavra dos próximos domingos nos apresentará todo o capítulo 13 de Mateus, com o anúncio do reino de Deus por parte de Jesus através de sete parábolas, convém ilustrar brevemente o sentido da linguagem simbólica dessas parábolas.

Desde o momento em que, por livre escolha de amor e por divina condescendência, “O Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), ele assumiu como “sua casa”, seu modo de ser e de atuar, a fraqueza da condição humana, as ambiguidades da história e até mesmo o pecado (cf. 2 Cor 5,21; Gl 3,13).

Desde então, “o reino de Deus” está atuando em maneira misteriosa, escondida na fraqueza humana de Jesus e nossa; opera com a potência do seu Espírito dentro esta mesma complicada realidade, para renová-la. O Espírito atua para transformar esta realidade e abri-la novamente à vida, à comunhão com Deus e recíproca entre as pessoas, e à alegria, segundo o projeto originário de Deus expresso na criação. Jesus, na sua própria pessoa é a primeira “parábola” através da qual, o Pai se revela e se comunica, doando-nos a si mesmo.

Em Jesus, o Pai imprime à nossa vida uma orientação nova e decisiva. Diz-nos que a nossa história e, portanto, a nossa vida pessoal, é o lugar em que se expressa a misericórdia de Deus que tudo reconcilia e renova. Essa é a “Boa Notícia”, o “Evangelho” no seu sentido literal, que traz alegria e esperança, para todos, sobretudo para os pequenos e os pecadores.

Para ilustrar, de modo mais acessível, às pessoas do seu tempo e de todo tempo, este misterioso dinamismo da ação de Deus, que supera a capacidade humana de entendê-lo e reconhecê-lo, Jesus usa a linguagem simbólica das “parábolas”, linguagem simples, sugestiva e rica ao mesmo tempo. Simples, pois usa feitos e imagens da vida cotidiana do povo. Sugestiva, enquanto através dela deixa entrever e vislumbrar a realidade profunda da ação de Deus, que nos transcende, mas que ao mesmo tempo toca a nossa existência mais íntima. Rica e profunda, pois a Palavra de Jesus, não somente informa sobre o Pai e sobre suas relações para conosco, mas nos comunica sua própria vida, e nos transforma nela, nos impelindo a nos comprometermos com ela.

Assim a linguagem simbólica das parábolas, conexa com a experiência cotidiana, se faz alusiva ao mistério da ação de Deus em Jesus e na história, e solicita a resposta dos ouvintes. Muitas vezes Jesus introduz uma parábola com esta expressão: “O reino de Deus é semelhante a....” (cf. Mt 13, 24;31;33). Desta maneira Jesus suscita o interesse dos ouvintes, impelindo-os a procurar com maior profundidade a mensagem que ele lhes propõe. Aos poucos, cada um descobre que ao final não está somente ouvindo a mensagem de Jesus, como quem escuta a história de outras pessoas, mas como alguém chamado em primeira pessoa a se reconhecer como protagonista da parábola: a palavra de Jesus está sendo oferecida a ele para uma conversão ao Senhor, para uma vida nova. “Quem tem ouvidos, ouça!” (Mt 13, 9).

Para fazer esta passagem do sentido imediato das palavras de Jesus ao conteúdo profundo e vital da parábola se faz mister abrir-se com simplicidade de coração e confiança ao Senhor. Se falta esta atitude, a parábola, como aconteceu com a pessoa humana de Jesus, acaba velando, escondendo o que em verdade queria desvendar e revelar.

Depois da cura do homem possuído pelo demônio, “As multidões ficaram admiradas e diziam: Nunca se viu coisa igual em Israel. Os fariseus porém, diziam: É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios” (Mt 9, 33-34).

Esta passagem de inteligência e de acolhida pressupõe ao mesmo tempo o dom da inteligência, que vem do Espírito de Deus, e a simplicidade do coração e da fé diante dele. “Por que falas ao povo em parábolas?”, perguntam os discípulos a Jesus. Sua resposta nos deixa com a respiração suspensa: “Porque a vós foi dado o conhecimento dos mistérios do reino dos céus, mas a eles não é dado.... É por isso que eu lhes falo em parábolas: porque olhando, eles não veem e, ouvindo, eles não escutam nem compreendem.... porque o coração deste povo se tornou insensível” (Mt 13, 15).

Os discípulos pertencem aos que, pelo seguimento sincero de Jesus, tem o coração simples e o olhar luminoso da fé, iluminado pelo Pai: “Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem”, a realidade misteriosa de Deus, que os profetas e os justos do Antigo Testamento desejaram e não conseguiram ouvir e ver (Mt 13, 16-17- cf. Mt 16, 16-18: confissão de fé inspirada a Pedro pelo Pai).

Jesus tinha já sublinhado que esta inteligência interior do seu mistério por parte dos discípulos era dom do Pai e fruto da simplicidade da fé deles: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi de teu agrado” (Mt 11, 25-26).

As coisas que pertencem a Deus podem ser entendidas somente graças ao Espírito de Deus, como sublinha o apóstolo: “Quem pois, dentre os homens conhece o que é do homem, senão o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, o que está em Deus, ninguém o conhece senão o Espírito de Deus. Quanto a nós não recebemos o espírito do mundo mas o Espírito que vem de Deus, a fim de que conheçamos os dons da graça de Deus” (1 Cor 2, 11-12).

A afinidade interior, criada pelo Espírito Santo, nos põe em sintonia com a ação e o estilo de Deus, nos introduz na alma do evangelho, nos revela e faz experimentar a fraqueza de Deus e a cruz, como manifestação da sua sabedoria e energia vital e transformadora. Sem esta sintonia no Espírito, tudo se torna mudo e escandaloso: o escândalo da cruz! Pelo contrário, quando subsiste a sintonia com o Espírito, a cruz de Jesus se torna como que “a parábola” por excelência, que nos revela o coração do Pai e do Filho, e o nosso destino de filhos e filhas amados por ele no Espírito Santo.

Este é o “caminho espiritual” que todo discípulo autêntico de Jesus é chamado a cumprir em todo tempo, escutando e acolhendo de todo coração sua palavra e seu impulso interior. As numerosas parábolas com que Jesus acompanha sua pregação e seus gestos nos deixam vislumbrar e saborear a infinita ternura, perseverança e fantasia criativa, com que o Pai se doa e nos chama a entrar em comunhão sempre mais profunda com ele.

“O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, outras caíram em terreno pedregoso.... outras... outras... Quem tem ouvido ouça!” (Mt 13, 3-9).

Com a parábola do semeador que espalha com generosidade as sementes em toda direção e condições do terreno, Jesus destaca a iniciativa de Deus, o dinamismo intrínseco da palavra proclamada, as dificuldades que encontra em seu desenvolvimento, e, além de toda dificuldade, o bom êxito final. Este último aspecto é ainda mais reforçado pela proclamação paralela da palavra do profeta Isaias: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vem irrigar e fecundar a terra.... assim a minha palavra que sair de minha boca...” (Is 55, 10-11).

A iniciativa gratuita de Deus e a fecundidade da palavra anunciada constituem o centro da parábola, na sua primeira parte (13, 3-9). A maneira de atuar do semeador, que vai contra a lógica razoável do aproveitamento de qualquer agronegócio, destaca o surpreendente estilo de Deus: “Nisto se manifestou o amor de Deus por nós... Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho” (1 Jo 4, 9-10). Esta semente generosamente entregue à terra, sem distinção no cálculo da resposta possível, é o próprio Filho, a Palavra vivente e vivificadora do Pai, que somos chamados a acolher, e deixar que ela nos faça partícipes de sua mesma fecundidade. “A palavra de Deus, cresce com aquele que a lê”- “Verbum Dei cum legente crescit”, afirmava o grande papa e doutor da Igreja São Gregório Magno, fazendo-se intérprete da tradição comum teológica e espiritual dos Padres da Igreja.

O discípulo que a acolhe com fé se torna, por sua vez, Palavra vivente de Deus. É a partir desta convicção de fé que o Concílio Vaticano II, com o intuito de renová-la nas suas profundas raízes divinas, decidiu colocar novamente a toda a Igreja na atitude de “ouvir e escutar com profunda fé a Palavra de Deus e de proclamá-la com confiança”. (Verbum Domini religiose audiens....” Const. Conciliar Dei Verbum, n. 1).

Assim como faziam os Padres da Igreja, o Papa Bento XVI nos fala novamente da “sacramentalidade da Palavra”, indicando sua origem no mistério da encarnação e sua eficácia salvífica, em analogia com a presença real de Cristo nas espécies do pão e do vinho consagrado (Verbum Domini, n. 56). A celebração da palavra de Deus na liturgia, feita com cuidado e devoção, e a sua meditação cotidiana na Lectio Divina, recomendadas com tanta solicitude pastoral pelo Papa, constituem extraordinários eventos salvíficos, a serem vivenciados com adequada preparação e intensa fé, que realizam em plenitude o anúncio de Jesus, e nos tornam “parábola vivente” do semeador.

De maneira surpreendente, de fato, a segunda parte da parábola do semeador (Mt 13, 23) apresenta uma nova interpretação, segundo a qual, a semente semeada não é mais a palavra anunciada, mas a pessoa, que a recebe com suas variadas atitudes. Algumas destas favorecem o desenvolvimento fecundo da palavra ouvida, outras o impedem: “Ouvi, portanto, a parábola do semeador: todo aquele que ouve a palavra do reino e não a compreende.... este é o que foi semeado à beira do caminho..... A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta” (Mt 13, 18-19; 23).

A criação inteira, juntamente conosco, “está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus... gemendo no tempo presente como que em dores do parto” (Rm 8, 18-23). O projeto de Deus e o dinamismo da palavra que está fecundando potencialmente a história, abrangem num único processo cada pessoa e toda a criação, como no início (cf. Gen 1). Nós, os escolhidos e chamados por graça, os porta-vozes de agradecimento e de louvor diante de Deus.

“Quem tem ouvidos ouça!”

Cardeal Nicora renuncia à Administração Vaticana

O Papa Bento XVI aceitou hoje a petição do cardeal Attilio Nicora de deixar a presidência da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA) e de permanecer somente como responsável da Autoridade de Informação Financeira (AIF).

Em uma breve nota divulgada hoje pela Santa Sé, o cardeal Nicora explica que o motivo desta renúncia é poder dedicar-se exclusivamente à AIF, o organismo criado pelo Papa, com o Motu Proprio de 30 de dezembro de 2010, para a luta contra a lavagem de dinheiro.

Este organismo superou a fase de constituição da nova estrutura e dos novos procedimentos, segundo informa o comunicado vaticano.

“Agora se trata de enfrentar de modo orgânico a confrontação e o diálogo com as instituições nacionais interessadas, para que, através das necessárias avaliações, a Santa Sé e o Estado da Cidade do Vaticano possam obter o reconhecimento de país extracomunitário equivalente".

Em seu lugar, o presidente da APSA é, desde hoje, Dom Domenico Calcagno, arcebispo emérito de Savona-Noli, que era até então o secretário.

Como novo secretário, o Papa nomeou o italiano Dom Luigi Mistò, até então diretor do Instituto Superior de Estudos Religiosos da Fondazione Ambrosiana Paolo VI (Varese) e responsável pelo serviço da arquidiocese de Milão para o Sustento Econômico da Igreja.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Missa de sétimo dia do nosso irmão JAYRÃO

A missa de sétimo dia do nosso tio JAYRÃO , será realizada na próxima sexta feira, dia 08 de julho, às 19:00 horas, na Igreja São João Batista, no Pontal. Desde já, contamos com a presença de todos.
Pedimos também que continuem orando por Luciana que será transferida amanhã para Salvador. Que Nossa Senhora, Maria Santíssima continue a interceder pela recuperação de Lu e Junior e pela paz de espírito das famílias.

Fonte: Católicos de Ilhéus

Missão: apresentar a verdade de Deus de forma crível

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e outras duas instituições, que juntos representam cerca de 90% dos cristãos do mundo, acabam de completar um estudo que durou 5 anos e divulgam um documento sobre “como agir em missão”.

Um comunicado publicado na quarta-feira passada pelo Conselho Ecumênico das Igrejas oferece uma série de recomendações aos missionários, evangelizadores e outras testemunhas, para que adotem “um comportamento respeitoso, dado que compartilham a fé cristã”.

Este trabalho é fruto de 5 anos de conversas entre o Conselho Ecumênico das Igrejas, o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, da Igreja Católica Romana, e a Aliança Evangélica Mundial (AEM).

O documento se intitula “O testemunho cristão em um mundo multirreligioso” e supõe “uma etapa histórica na busca da unidade cristã”, destacou o pastor Geoff Tunnicliffe, diretor geral da AEM.

E isso, explicou, porque constitui um acordo oficial sobre “a essência da missão cristã, demonstrando que organismos cristãos diferentes são capazes de trabalhar juntos e de falar a uma só voz”.

O documento afirma que “a missão faz parte da própria natureza da Igreja” e sugere elementos concretos para realizá-la, “mostrando um respeito sincero pelos fiéis de outras religiões”.

O texto se remete a um estudo atento de questões relativas à missão e ao diálogo inter-religioso, ao estabelecimento da confiança e da cooperação entre os fiéis de todas as religiões e à promoção da liberdade religiosa para todos no mundo.

Também incentiva os cristãos a rezarem pelo bem-estar de todos, a reforçar sua própria identidade religiosa e a velar para não formar uma ideia equivocada das crenças dos outros.

Estudar, construir, incentivar, cooperar, exortar e rezar são as 6 recomendações feitas neste documento.

O presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, cardeal Jean-Louis Tauran, destacou, na apresentação, que os responsáveis da Igreja têm hoje “a obrigação de proclamar a fé” e de “propor uma visão mais ampla do diálogo”.

Citou um princípio do ensinamento católico: o de “não rejeitar nada que seja verdadeiro e santo, seja qual for a religião”. E convidou os cristãos a superarem os conflitos religiosos, se quiserem “apresentar a verdade de Deus de forma crível”.

As reuniões, das quais participaram representantes do Conselho Ecumênico das Igrejas, do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e da Aliança Evangélica Mundial (AEM) e que conduziram à elaboração deste documento comum, foram realizadas em Lariano (Itália), em maio de 2006; em Toulouse (França), em agosto de 2007; e em Bangkok, (Tailândia), em janeiro de 2011.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Bento XVI: informar de maneira autenticamente humana

Bento XVI visitou hoje a sede do jornal do Vaticano L'Osservatore Romano e sublinhou a importância de informar de maneira autenticamente humana, explicando que este objetivo só pode ser alcançado tomando como diretrizes a justiça e a esperança.

“Há poucos dias, em 1º de julho, o L”Osservatore Romano alcançou a notável idade de 150 anos de existência. Eu gostaria de dizer-vos de todo coração, como se faz em casa: feliz aniversário!”, disse o Papa.

Esta comemoração “suscita sentimentos de gratidão e de orgulho legítimo”, explicou, afirmando que sua visita buscava “expressar meu reconhecimento a cada um dos que 'fazem' o jornal com paixão humana e cristã e com profissionalismo”.

A forma moderna de fazer um jornal, prosseguiu o Pontífice, “exige muito mais, digamos, criatividade humana que trabalho técnico”. Por isso, esta “oficina” na qual nasce o L'Osservatore Romano “se dedica certamente a fazer, mas antes e sobretudo a conhecer, a pensar, a julgar e a refletir”.

Prioridades

Em seu discurso, Bento XVI reconheceu que “ninguém pode informar sobre tudo” e, por isso, “é necessário ter sempre um discernimento, uma escolha”.

“E sabemos bem – disse – que a escolha das prioridades é, na atualidade, muito discutível, em muitos órgãos da opinião pública.”

Por isso, “o L'Osservatore Romano adotou sempre dois critérios: unicuique suum e non prevalebunt. Esta é uma síntese característica para a cultura do mundo ocidental. Por um lado, o grande direito natural, a cultura natural do homem, concretizada na cultura romana, com seu direito e o sentido da justiça, e por outro lado, pelo Evangelho”.

“Poderíamos dizer também – prosseguiu o Santo Padre – que, com estes dois critérios, o do direito natural e o do Evangelho, temos como critério a justiça e, por outro lado, a esperança que vem da fé.”

“Estes dois critérios unidos – a justiça que respeita todos e a esperança que vê também as coisas negativas sob a luz da bondade divina, da qual estamos seguros pela fé – ajudam a oferecer realmente uma informação humana, humanística, no sentido de um humanismo que tem suas raízes na bondade de Deus. E, assim, não é somente informação, mas realmente formação cultural”, disse.

Observatório

Bento XVI considerou que, “neste observatório, são vistas tanto as coisas distantes como as próximas. Distantes em um duplo sentido: antes de tudo, distantes em todas as partes do mundo, como nas Filipinas, Austrália, América Latina; isso, para mim, é uma das grandes vantagens do L'Osservatore Romano, que oferece realmente uma informação universal, que realmente vê o mundo inteiro e não somente uma parte”.

Por esta razão, mostrou-se agradecido, visto que “normalmente nos jornais se dão informações, mas com uma preponderância do próprio entorno, e isso faz que caiam no esquecimento outras partes do mundo, que não são menos importantes”.

No caso do cotidiano vaticano, “vê-se algo da coincidência do Urbis et Orbis que é característica da catolicidade e, de alguma maneira, também é uma herança romana: olhar verdadeiramente para o mundo, e não para nós mesmos”.

“Deste observatório – prosseguiu –, as coisas distantes também são vistas em outro sentido: o L'Osservatore não permanece na superfície dos acontecimentos, mas vai à raiz. Para além da superfície, mostra-nos as raízes culturais e o fundo das coisas.”

“Para mim – concluiu –, não é somente um jornal; é também uma revista cultural. Admiro como é possível, cada dia, oferecer grandes contribuições que nos ajudam a entender melhor o ser humano, as raízes de onde vêm as coisas e como devem ser entendidas, cumpridas e transformadas.”